Morador de rua que ofereceu almoço a praticantes de rapel ganha novo sorriso em Colatina

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Morador de rua que ofereceu almoço a praticantes de rapel ganha novo sorriso em Colatina

Ele terminou o tratamento dentário que foi oferecido por um dentista de Colatina. Agora está vendendo picolé e continua com o sonho de ter uma casa

Redação Folha Vitória

Quase cinco meses após um ato que chamou a atenção de praticantes de rapel em Colatina, Sebastião de Jesus Gomes ganhou um novo sorriso. Sensibilizado com a história do morador de rua, o dentista Rafhael Reali ofereceu um tratamento dentário a ele. Na última quinta-feira (13) ele terminou todo o tratamento e está com dentes novos. 

"Nós tivemos um pouco de dificuldade por conta do contato, pois ele não tem telefone. Tínhamos a ajuda de uma pessoa, que ajudou a levá-lo ao abrigo, para trazê-lo aqui no consultório. Mas todo o tratamento correu bem. Fizemos pequenas cirurgias, algumas extrações de dentes, conseguimos recuperar alguns e colocamos uma prótese dentária", contou o dentista sobre o trabalho que fez.

De acordo com o dentista, é sempre bom poder ajudar alguém. Ele destacou que ficou realizado com tudo que conseguiu proporcionar a Sebastião. "Isso tudo é muito gratificante, principalmente quando a gente encontra alguém com uma história como a dele. Conversando sobre a vida durante as consultas, percebemos que existem muitas pessoas na mesma situação, mas nós fazemos o que está ao nosso alcance. Gostaria de poder ajudar mais, mas fazemos o que podemos. É muito bacana ver como ele chegou e agora o sorriso que ele está saindo", destacou.

Sebastião saiu todo satisfeito do consultório com o novo sorriso. Ele disse que está agradecido por toda a ajuda que teve e por tudo que tem recebido até hoje das pessoas. "Eles me ajudaram muito. Gostei muito de como ficou. Também tive ajuda com roupas e com muita coisa. Foram muito bons comigo", disse.

Ele contou que voltou a morar embaixo da ponte, pois não deu certo a estadia dele no abrigo. Sebastião também começou a trabalhar na roça, mas disse também que precisou voltar para a cidade. Agora ele está trabalhando vendendo picolé. O sonho de comprar uma casa continua, além do desejo de morar em Vitória.

"Voltei a dormir na ponte, mas estou trabalhando vendendo picolé. Agora também estou namorando e quero arrumar uma casa para poder morar com ela. A ajuda que recebi foi muito boa e sou muito agradecido a tudo que fizeram por mim", afirmou o vendedor de picolé.

Convite

Em fevereiro desse ano, o fotógrafo Edson Reis, junto com um grupo de praticantes de rapel, se deparou com um convite inesperado. Procurando um lugar para almoçar, eles encontraram Sebastião e resolveram perguntar onde teria um restaurante. Ele, que estava em uma barraca embaixo da ponte, disse que o restaurante mais próximo era longe e que se o grupo não se importasse ele prepararia arroz com farinha.

"Fiquei sem reação ao ouvir o que ele disse. Me emocionou muito, porque você vê que era uma pessoa humilde, que passa por dificuldades, mas que, mesmo assim não nos pediu nada. Pelo contrário, só nos ofereceu o que ele tinha", contou o fotógrafo.

Ajuda

Mais de um mês após o fotógrafo receber o convite inusitado, a história do morador de rua teve uma reviravolta. Inconformado com a realidade vivida por ele, Edson, que mora na Serra, resolveu voltar a Colatina dias depois do encontro. A intenção era, de alguma forma, conseguir ajuda para o homem.

Além de um lugar para ficar, Sebastião também conseguiu ajuda da proprietária de um pequeno restaurante da cidade. Maria Gorete Marques se comprometeu a fornecer almoço, pelo tempo que for necessário.

Por conta da divulgação da história, o dentista também entrou em contato com o fotógrafo. Ele contou que se sensibilizou e decidiu contribuir, através do seu trabalho, para melhorar a vida de Sebastião. Foi aí que o tratamento dentário teve início.

Rapel

Em abril, Edson voltou a Colatina para se aventurar junto com o vendedor de picolé. Sebastião pôde sentir na pele a mesma adrenalina que o amigo já desfruta há 12 anos: fazer uma descida de rapel. Na verdade, não foi só uma, mas duas descidas. E o cenário escolhido foi justamente a Segunda Ponte, local onde os dois se conheceram.