Polícia do ES investiga golpistas que clonam celular e utilizam WhatsApp para pedir dinheiro

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Polícia do ES investiga golpistas que clonam celular e utilizam WhatsApp para pedir dinheiro

Na semana passada, a Delegacia de Repressões aos Crimes Eletrônicos do Estado atendeu dois casos desse tipo. Uma das vítimas chegou a perder R$ 1,5 mil

Redação Folha Vitória

Uma nova modalidade de crime eletrônico, que tem sido frequentemente praticada por estelionatários para conseguir dinheiro fácil, utiliza o WhatsApp para fazer diversas vítimas em todo o Brasil, inclusive no Espírito Santo. Após "clonar" um número de celular, o golpista invade a conta do dono dessa linha no aplicativo de mensagens instantâneas, entra em contato com seus amigos e familiares e, fingindo ser a vítima, pede a eles dinheiro emprestado.

Durante o período em que o estelionatário está com a linha telefônica em seu poder, o número da vítima fica fora do ar. Segundo a titular da Delegacia de Repressões aos Crimes Eletrônicos (DRCE), Cláudia Dematté, ao clonar a linha telefônica, o golpista habilita esse número "sequestrado" em outro chip, fazendo com que o celular da vítima fique sem sinal.

Ainda de acordo com a delegada, no momento em que o criminoso habilita o número em outro chip e instala o WhatsApp, ele consegue ter acesso às informações da conta da vítima no aplicativo e a todos os contatos dela. A partir daí, passando-se pelo titular da linha, ele começa a pedir dinheiro emprestado para os contatos mais próximos dessa vítima.

"Eles usam, em geral, o argumento que estão com um problema na conta ou no limite de saque do dia. Vários dos contatos da vítima que teve o WhatsApp clonado acabam fazendo o depósito do dinheiro na conta de golpistas, achando que estão emprestando a quantia para o seu familiar ou amigo", alerta a delegada.

Segundo Cláudia Dematté, na semana passada a DRCE atendeu duas pessoas que elegaram ter tido o número do celular clonado e a conta do WhatsApp invadida por criminosos. "Nos dois casos, dois amigos de cada vítima chegaram a realizar depósitos em dinheiro. Em um dos casos, um dos amigos depositou R$ 1,5 mil e o outro, R$ 900. E no outro, cada um depositou R$ 900", contou.

Uma das vítimas que procurou a delegacia foi um advogado de Vitória, que preferiu não se identificar. Ele conta que o criminoso colocou sua linha telefônica em outro chip e, dessa forma, conseguiu ter acesso a seus contatos no WhatsApp. Se passando pelo advogado, o golpista pediu dinheiro emprestado a amigos e parentes da vítima e conseguiu R$ 1,8 mil.

"Ele mandou mensagens para grupos dos quais eu participo, perguntando quem tinha o aplicativo do Banco do Brasil e que poderia fazer uma transferência online. Alegou que o limite de transferência dele já tinha sido atingido e que devolveria o dinheiro no dia seguinte. Quando a pessoa dizia que podia ajudar, ele abria uma conversa particular, onde pedia valores diversos. E duas pessoas acabaram transferindo dinheiro para ele, R$ 900 cada uma", contou.

O advogado disse ainda que teve certeza do golpe assim que percebeu que seu celular estava sem sinal. "Eles já tinham feito isso com o celular da minha ex-esposa e, logo em seguida, fizeram com o meu, pois as duas linhas estão com o meu CPF. Fui em uma loja da operdadora, relatei o problema e eles conseguiram recuperar minha linha. Mandei mensagens para meus contatos do WhatsApp, mas já era tarde. Ele ficou com meu número por cerca de uma hora, mas foi tempo suficiente", lamentou.

Segundo o advogado, além dele, os amigos que transferiram o dinheiro para o estelionatária foram à delegacia registrar boletim de ocorrência.

Orientação

Para evitar que mais vítimas caiam nesse golpe, a delegada Cláudia Dematté orienta usuários do WhatsApp a realizar a verificação em duas etapas do aplicativo de mensagens instantâneas, evitando, dessa forma, que a pessoa tenha sua conta invadida. Feito isso, mesmo que alguém clone o chip e instale o WhatsApp, precisará digitar uma senha de seis dígitos para acessar a conta do titular da linha.

Para realizar a verificação em duas etapas do WhatsApp, basta o usuário realizar os seguintes passos: abra o WhatsApp; acesse as configurações do aplicativo; toque na opção "conta"; toque na opção "verificação em duas etapas" e, em seguida, no botão "ativar"; informe uma senha numérica de seis dígitos e repita a digitação.

Segundo a delegada, é possível informar uma conta de e-mail para a recuperação da senha, mas é uma etapa opcional. No entanto, se não for cadastrada uma conta de e-mail para recuperação e a senha for perdida, a conta do WhatsApp não poderá ser cadastrada novamente e, dessa forma, ela será perdida definitivamente.

Cláudia Dematté orienta também que quem for vítima desse golpe deve procurar a Delegacia Especializada em Crimes Eletrônicos para fazer o registro da ocorrência para que se iniciem as investigações.