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Gasolina tem reajuste de 11% em um mês na capital do ES

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Economia

Gasolina tem reajuste de 11% em um mês na capital do ES

A alta no preço, segundo um economista capixaba, se deu por conta da alta do barril de petróleo e alta do dólar, além da escassez do produto

No último mês, o consumidor capixaba sentiu no bolso um aumento de cerca de 11% no valor médio da gasolina comercializado nos postos de combustíveis em Vitória. Os preços foram divulgados semanalmente pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). No início de maio, entre os dias 6 e 12, a média era de R$ 4,12. Já entre o final de maio e início de junho, entre os dias 27 e 2, semana marcada pela paralisação dos caminhoneiros em todo o país, o valor chegou a R$ 4,59.

De acordo com o economista Eduardo Araújo, que também é vice-presidente do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES), isso se deu por alguns motivos que, juntos, levaram a uma alta que chamou bastante a atenção dos consumidores.

“A política de preços da Petrobras coincidiu com o período de alta do barril de petróleo e alta do dólar. Isso fez o consumidor sofrer. Já a escassez da oferta, por conta da greve dos caminhoneiros, acabou criando uma oscilação de preços maior. Esses dois fatores justificam essa alta’, explicou.

Durante o mês, em quase todas as semanas de pesquisa dos preços, a ANP levantou os valores de 20 postos, mas na última semana pesquisada, que coincidiu com a greve dos caminhoneiros, apenas três estabelecimentos foram pesquisados. “Isso é ruim, pois não dá para comparar bem e tirar a média”, disse o economista.

O vice-presidente do Corecon-ES também explicou que o fator que mais pesa para o consumidor são os impostos em cima do valor do combustível. “É a carga tributária que pesa para o consumidor. A cada R$ 100 de gasolina que é colocado no veículo, cerca de R$ 50 são para impostos. O custo para a sociedade é grande”, destacou.

Ainda segundo Eduardo Araújo, a redução do preço do diesel, que foi um dos pedidos dos caminhoneiros durante a greve, também cairá na conta da população. “Para reduzir carga e oferecer isenção para a Petrobras, quem vai pagar é a sociedade. Com isso, o governo vai deixar de investir em áreas que afeta o cidadão e outros setores vão pagar custos, pois perderam incentivos fiscais”.

Média nacional

Segundo levantamento da ANP, o valor médio do litro no país foi de R$ 4,61 entre 27 de maio e 2 de junho. Em relação à semana anterior, a alta foi de R$ 0,17, ou 4%. O preço médio do óleo diesel variou subiu de R$ 3,78 para R$ 3,82. Já o etanol foi de R$ 2,81 para R$ 2,95.

A paralisação dos caminhoneiros, que durou 11 dias, provocou uma corrida aos postos para abastecer e preços abusivos nas bombas. Na semana passada, a ANP, registrou gasolina vendida a R$ 5,40 na região Norte, a R$ a R$ 5,39 no Sudeste e a R$ 4,99 no Sul.

Gasolina sobe desde julho de 2017

A trajetória de alta do preço dos combustíveis no Brasil começou há quase um ano, quando o governo aumentou PIS/Pasep e Cofins. Naquele momento, o preço do barril de petróleo no mercado internacional começava a subir e a Petrobras acabava de adotar uma nova política de preços, que repassa às refinarias variações diárias de câmbio e do petróleo.

Um levantamento feito pelo R7 com base em dados da ANP mostra que quando o Ministério da Fazenda anunciou a alta do PIS/Pasep e da Cofins (que adicionou R$ 0,41 ao preço do litro), a gasolina custava, em média, R$ 3,464. Um mês depois, era vendida a R$ 3,773.

O valor do barril subiu de US$ 49,30 em 20 de julho de 2017 para US$ 62,22 quatro meses depois e continuou em alta, até atingir nos últimos dias o maior patamar desde o fim de 2014: próximo de US$ 80.

De lá para cá, a valor do litro da gasolina no Brasil também continuou em trajetória crescente, rompeu a barreira de R$ 4 na metade de novembro e ultrapassou R$ 4,20 em janeiro. Agora, aproxima-se de R$ 4,30, na média, embora em alguns Estados já chegue a R$ 5.

A arrecadação do governo com PIS/Pasep e Cofins sobre os combustíveis bateu um recorde após a alta de julho. Saltou de R$ 4,527 bilhões entre janeiro e abril de 2017 para R$ 9,683 bilhões (+113,9%) no mesmo período deste ano, segundo números da Receita Federal.

O presidente do Sincopetro (Sindicato de Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo), José Alberto de Paiva Gouveia, calcula que o aumento do PIS/Cofins tenha reduzido "em torno de 14% a venda de combustíveis nos postos paulistas".

"Foi uma alta expressiva no preço final para o consumidor e a gente sabe que quanto mais sobe [o preço] mais cai a venda", diz.