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Deflação do IBGE e sua inflação, qual termômetro de preços vale?

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Economia

Deflação do IBGE e sua inflação, qual termômetro de preços vale?

Você pode não sentir no bolso, mas o IBGE registrou, na última semana, uma queda na inflação brasileira

Por Tom Morooka/Equipe Seu Dinheiro

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) comunicou na sexta-feira, dia 7, que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), a régua que mede a inflação oficial, teve variação negativa de 0,23% em junho - na prática, não houve inflação, mas deflação ou evolução negativa de preços, na comparação com os preços médios de maio, pela primeira vez desde 2006, portanto em 11 anos.

Ainda de acordo com o IBGE, é o índice mais baixo para o mês de junho desde o início do Plano Real, em julho de 1994. A inflação acumulada no primeiro semestre do ano está em 1,18% e nos últimos 12 meses, até junho, em 3%.

O tombo da inflação, que vem em trajetória de queda desde o início do ano, pode não estar sendo sentida pelo bolso de alguns consumidores, que percebe certo desalinhamento entre a inflação medida pelos índices e a persistente alta dos preços de produtos que consome.

Para entender esse descompasso é preciso saber que o IPCA reflete a variação média de preços de produtos consumidos por famílias de renda entre um e 40 salários mínimos em nove regiões metropolitanas do País. A fórmula de cálculo, por si só, leva a um resultado final que não reflete a inflação de cada um, que tem, individualmente, hábitos e padrões de consumo distintos dos consumidores de diferentes regiões.

Embora o IPCA calculado pelo IBGE, assim como os demais, incluídos os de outros institutos de pesquisa de preços, não particularize a inflação de cada consumidor, o índice atrai a atenção de todos porque indica clara reversão da tendência de alta de preços. Especialmente de alimentos ligados a produtos agropecuários - como batata, tomate, cenoura, cebola, leite, dentre outros - que, puxados pelos choques climáticos, pressionaram a inflação até recentemente.

A queda do IPCA, ademais, contribui para devolver certo poder de compra à renda do trabalhador que vinha sendo desvalorizada pela inflação.

Juro real nas aplicações

Quem se beneficia do recuo da inflação também são as aplicações financeiras remuneradas por taxas de juro. Com a inflação negativa em junho, o rendimento de aplicações no mês passado, desde a caderneta até os fundos de investimento, equivale ao ganho real positivo, incorporado como aumento do poder de compra ao capital investido.

A queda do IPCA, nesse caso, compensa o corte em curso na taxa Selic. Embora o juro nominal esteja em queda, a aplicação assegura juro real até elástico porque o ritmo de declínio da inflação está mais acelerado. Em junho, por exemplo, a deflação do IPCA transformou em ganho real a totalidade do rendimento nominal das aplicações.

Efeito nos juros

Outro efeito positivo é que a queda da inflação possibilita a redução da taxa básica de juros, a Selic, o que induz ao corte dos juros nas várias modalidades de financiamento, ainda que o espaço que separa a Selic das taxas cobradas nessas linhas mantenha enorme distância.

O otimismo com a inflação é tão grande que analistas e economistas do mercado financeiro, de acordo com o último boletim Focus, estimam que o IPCA acumule variação de 3,46% este ano e a Selic, que roda em 10,25% ao ano, caia ainda mais e termine 2017 equilibrada em 8,50%. São perspectivas que animam também a equipe econômica do governo, que reduziu as metas de inflação para 2019 e 2020. O miolo da meta de inflação que o Banco Central vai mirar com o manejo da taxa Selic em 2019 recuou de 4,50% para 4,25% e, em 2020, de 4,25% para 4%.

Embora o mercado financeiro se baseie nessas projeções para tocar os negócios do dia a dia, esses dados não passam de estimativas e podem ser afetados pelas incertezas da crise política e pela abertura da temporada de campanha às eleições presidenciais de 2018.

Esse cenário exige que o consumidor não baixe a guarda e mantenha cautela redobrada com a gestão de seu orçamento, apesar da trégua da inflação. O cenário político e, com ele, o econômico está tão instável, sacudido por sucessivas crises no centro do poder em Brasília, que não se podem descartar reviravoltas pelo caminho dos aparentemente bem comportados indicadores econômicos de momento.