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Claudia Alencar fala sobre desafio de interpretar personagem com esclerose múltipla

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Claudia Alencar fala sobre desafio de interpretar personagem com esclerose múltipla

A atriz contou com sua experiência para montar o papel, mas também foi à procura de conteúdos para trazer mais realidade para a protagonista

Claudia Alencar interpreta uma mulher com esclerose lateral amiotrófica no filme ELA e contou em entrevista sobre o desafio de encarar essa personagem. 

- Eu vi vários vídeos, vários filmes e li vários depoimentos. Não sei se tinha estrutura para falar com uma pessoa sobre isso. Então eu vi muitos filmes e entrei na literatura para poder me informar. Quando eu soube da doença pela primeira vez, eu fiquei chorada. A pessoa fica lúcida enquanto o corpo se desfaz - e ela não pode fazer nada. Ela sabe que o futuro é a piora, confessou.

Claudia também enalteceu as atrizes Ana Beatriz Nogueira e Claudia Rodrigues, que revelaram à imprensa as suas lutas contra a esclerose múltipla.

- É chocante que a Ana Beatriz Nogueira, que eu admiro demais, e a Claudinha Rodrigues, tenham essa doença. É chocante porque elas fazem parte da minha tribo, que é a arte. E elas lutam mesmo contra a ELA e a favor de sua saúde. Eu não conversei com elas, mas acho que as pessoas devem se conscientizar... Você passa por crueldades na vida, mas se você produz, se você tem uma ação eficaz de criação onde ajuda, se solidariza, ao invés de ficar se lastimando e se lamentando; – o que é difícil – tem essas horas de sombra, mas é preciso ter essas horas de luz.

A artista ainda deu detalhes de sua personagem na trama.

- A minha personagem é forte. Ela não fala para os filhos o que ela tem, mas sabe que a avó dela possivelmente tenha tido ELA. Então ela resolve amar. Ou seja, parar de trabalhar, porque ela trabalhava muito, e amar os filhos, a família, viajar mais, beijar mais. Amar mais. Viver mais.

Em entrevista ao jornal Extra, Claudia fez um relato em que admite ter sido estuprada e torturada durante a ditadura militar. Ela confessou que a sua própria experiência de superação a ajudou a fazer o filme - e que a ajuda em sua vida pessoal até hoje.

- Meu sentimento de superação foi viver. Exatamente isso. Querer viver. E na medida em que eu revelei isso, foi muito bom porque eu resolvi olhar de novo para o passado e me tornar mais forte. Eu sobrevivi para contar para que todas falem, para que não tenham vergonha de terem apanhado, de terem sido torturadas. Porque a vítima tem vergonha de falar. E é sempre difícil. Eu trago muito essa experiência de superação, de querer fazer, criar, de ser uma melhor atriz e poeta, uma melhor pessoa, mãe, mulher. Isso que me faz viver.

Aos 67 anos de idade, a atriz possui muitos cuidados com sua saúde.

- Eu presto muita atenção nos meus pensamentos. Eu fico mais atenta aos meus pensamentos e sentimentos. Teve uma época em que eu escrevia de três em três horas em um caderno. Escrevia o que eu tinha feito, pensado. É uma técnica que a gente usa para poder ficar mais atenta. Sou uma pessoa que não come açúcar, sal. Estou a ponto de me tornar vegana e estou aprendendo a geminar grãos. Como muito peixe, frango, legumes e frutas. Faço musculação, alongamento, meditação. Isso faz com que o cérebro fique mais clarificado. Tomo lactobacilos, que é importante para o intestino.

E também revelou seus planos de abrir um canal no YouTube.

- Vou abrir um canal para falar de tudo isso. Vou falar também dos meus filósofos que me ajudaram a superar vícios como o cigarro, vou falar sobre histórias, poesias. Compartilhar tudo o que eu vivi, e também os meus diários desde os 12 anos de idade. Quem sabe possa ser útil, né? Tenho um compromisso muito grande com as mulheres por causa da minha mãe, por causa de todos os abusos que sofri. Então também irei abrir um espaço para debater isso.