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'Rocco e Seus Irmãos' na retrospectiva de Visconti

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'Rocco e Seus Irmãos' na retrospectiva de Visconti

Graças à grande retrospectiva de Luchino Visconti no CineSesc, o cinéfilo pode conferir quase o momento exato em que, na obra do grande artista, nasce Rocco e Seus Irmãos. Em 1947, no auge do seu ardor revolucionário, o ainda "jovem" Visconti, de 41 anos, resolveu filmar uma família de pescadores da região portuária de Catânia, na Sicília. O filme seria sobre a tomada de consciência desse segmento, mas o contato com a realidade fez o projeto mudar. Numa cena, Cola Valastro, da família de protagonistas, é levado, com outros jovens, por um estranho, para o Norte industrializado da Itália. É o começo de Rocco.

A chegada à estação de Milão marca a ruptura da família Parondi com o Sul agrário e arcaico. A mãe, Rosário, e quatro filhos, que vêm para se juntar ao quinto. Cinco filhos, "unidos como o dedo da minha mão", e Katina Paxinou exibe, orgulhosa, sua mão. Na cidade grande, a família vai se desintegrar. E, na obra viscontiana, Rocco também vai marcar uma espécie de limite. É seu filme que mais se inscreve numa tradição de realismo crítico.

Rocco e Seus Irmãos terá sessão nesta tarde, 16h30, no CineSesc. A retrospectiva tem sido um sucesso. Alguns filmes estão tendo sessões extras, para atender à demanda. Morte em Veneza, sexta-feira, 9, à noite. O Estrangeiro também nesta terça, 13. Aristocrata, comunista, Visconti era chamado de "Conde Vermelho". Contraditório por excelência. Rocco é a culminação do seu cinema antropomórfico, quando ele dirigia a câmera para o corpo de seus atores. É algo mais. Apesar de seus comprometimentos, Visconti nunca foi um cineasta "marxista".

Em Rocco, Ciro é o personagem que faz avançar a consciência (luta) de classes, mas o foco é a pureza, a bondade excessiva de Rocco. Há um desenho social, uma expectativa - a classe operária no caminho do paraíso, com o menino, Luca, no desfecho. É também um adeus. Freud vai substituir cada vez mais Marx na obra de Visconti e o tema da decadência (da aristocracia, sua classe) vai se tornar dominante.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.