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Seis meses antes de chegar ao Brasil, Kaysar foi espancado por gangue

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Entretenimento

Seis meses antes de chegar ao Brasil, Kaysar foi espancado por gangue

O 'brother', nascido na Síria, também já vivenciou a guerra em que o país se encontra

Kaysar pouco fala sobre sua vida pessoal no Big Brother Brasil 18. De origem síria, o rapaz apenas faz questão de mostrar aos seus colegas de confinamento que valoriza muito o fato de estar vivo, afinal, já vivenciou a guerra que seu país enfrenta atualmente. Uma reportagem da revista Veja, no entanto, revelou outros detalhes do passado turbulento do brother, que seis meses antes de chegar ao Brasil foi espancado por uma gangue nacionalista por carregar um crucifixo no pescoço.

O sírio acabou com a perna direita quebrada em quatro partes e o braço esquerdo em três. Quando estava se recuperando da quinta cirurgia na perna direita em um hospital de Odessa, no sul da Ucrânia, ele teria ouvido uma voz sugerindo que ele procurasse os primos no Brasil. Seguindo a intuição e sem contar aos pais sobre a agressão, ligou para casa, em Alepo, na Síria, e pediu o contato de Abdo Abage, cônsul honorário da Síria do Brasil e primo da sua mãe, a dona de casa Diane. Abdo enviou uma carta para a embaixada do Brasil na Ucrânia pedindo ajuda para liberá-lo. Um mês depois, em junho de 2014, Kaysar chegou a Curitiba, quando foi recebido pelo primo, Nassib Abage.

A publicação revela que Kaysar ficou hospedado em um apart-hotel, mas o aluguel caro, cerca de 15 mil reais por mês, fez com que ele fosse morar na casa de Nassib. Os primos moram numa casa confortável de dois andares no centro de Curitiba. Para a chegada do sírio, eles reformaram o último piso e construíram um apartamento de dois quartos com 100 metros quadrados. Kaysar ainda ganhou uma academia, montada após Nassib fazer uma vaquinha entre os sete irmãos da família. Além disso, ele ganhava uma mesada de 1800 reais por mês.



Em cinco meses, Kaysar já estava adaptado e falando português. A partir daí, ele matriculou-se no curto de hotelaria do Centro Europeu. No curso, conheceu a empresária Stephanie Keller, dona de uma empresa de animação, que oferece atores trajados como personagens das histórias infantis para festas e eventos. Para ganhar um dinheiro extra, Kaysar começou a se fantasiar e ganhava 110 reais por trabalho.

- Ele é exatamente como na TV: sempre alegre. Já chegava de manhã, brincando com todo mundo e rebolando sempre que colocávamos música nas aulas. Como tem bom físico, logo percebi que poderia interpretar o Homem-Aranha. As crianças o adoravam porque ele gostava de brincar de o tudo. Uma vez ficou chateadíssimo porque não o deixaram descer em uma tirolesa, pela idade e peso, contou a empresária à revista.

Ao ficar sabendo das inscrições para o BBB18, através de um colega de trabalho durante seu emprego de garçom em um hotel de Curitiba, Kaysar ficou obcecado com a ideia de entrar no programa: - Falei que era difícil ser escolhido porque muita gente queria participar. Mas ele ficou meio obcecado ideia. Espalhou cartazes dizendo que queria entrar para o programa. Era uma espécie de mantra para ele, lembrou Nassib.

Vida na Síria

Kaysar possuía uma vida de classe média alta em Alepo, onde morava com a a família. Segundo a Veja, o pai, Georges Dadour, era representante de uma marca de cosméticos alemã, enquanto a mãe, Diane Meramo Dadou, não trabalhava. Já a irmã, Celine, que mora no Líbano, fugiu da Síria no porta-malas de um táxi para não ser estuprada. Kaysar decidiu deixar o país aos 20 anos de idade, para não se alistar no exército e fugir da guerra.

Sua ideia inicial era fugir pelo Líbano com destino à Ucrânia, onde seria recebido por um amigo. Porém, quando chegou no local não conseguiu contato com a tal pessoa. Anos mais tarde, Kaysar descobriu que o amigo havia morrido de câncer. A partir daí, a vida de o brother no país foi um verdadeiro tormento. A reportagem explica que ele não tinha onde se hospedar e passou dias dormindo embaixo de uma ponte. Quando conseguiu um trabalho como gari, passou a alugar um quarto em uma pensão, onde ajudava na limpeza do lugar para conseguir pagar o aluguel.

No programa, muitos já perceberam a dificuldade de Kaysar em se emocionar, principalmente com a saída de Patrícia, com quem teve um breve relacionamento no confinamento. O primo dele revela que pelo fato de ter sofrido muito, ele não consegue chorar:

- Ele sofreu muito nessa vida. Tanto que não sabe chorar. Quando está triste, ele grita, mas grita muito mesmo.

Sem encontrar com a família há mais de oito anos, os pais de Kaysar o acompanham pela internet. Nassib diz que a mãe acha que ele está rebolando muito, algo incomum para os jovens sírios.