• Velocidade do vento

  • Previsão de chuva

  • Nascer do sol

  • Por do sol

Umidade relativa do ar: Índice de raios UV:

Gig Nova 5: A vitória do improviso

  • COMPARTILHE
Entretenimento

Gig Nova 5: A vitória do improviso

O improviso dos povos será o tema da 5ª edição do projeto Gig Nova, do jornal O Estado de S. Paulo . Apenas nesta sexta-feira, 25, a partir das 21h, na casa de shows Tupi or Not Tupi, na Vila Madalena, quatro grupos (ou gigs, na linguagem dos músicos), vão se apresentar um após a outro durante uma média de 25 minutos cada um. As gigs, desta vez, foram divididas em culturas diferentes que trabalham o improviso com propostas singulares. O Tupi or Not Tupi é uma casa para cerca de 200 pessoas. Os ingressos são vendidos pelo site da casa.

Gig 1

A primeira turma será a do jazz brasileiro. O improviso baseado na harmonia estudada e nas riquezas do timbre de cada instrumento estará nas mãos do pianista Gabriel Gaiardo, da baixista Gê Ruiz, do trompetista Diego Garbin e do baterista Jônatas Sansão. Gabriel tem uma carreira em ascensão, de presença forte nas teclas de um instrumento sempre vibrante. Gê Ruiz, que tem trabalhos com o Elas Quarteto, já se apresentou com o guitarrista Lanny Gordin e os cantores Thaíde, Karol Conka, Xis, Rashid, Lurdez da Luz e Tassia Reis, o que mostra versatilidade. Diego Garbin é considerado uma promessa certa em seu instrumento, um jovem ainda sem disco lançado que vem sendo comentado por vários músicos que já fizeram parte de seus grupos. E o baterista Jônatas Sansão, com uma ampla formação que lhe permite tocar desde sons mais fusion do guitarrista Michel Leme até o instrumental do baixista Sidiel Vieira.

Gig 2

O segundo encontro vai fazer uma ponte cultural inédita entre Senegal e Índia para representar o improviso transcendental, dos povos que a usam para elevações espirituais em formatos cíclicos e mântricos. O brasileiro André Piruka (que toca percussão e instrumentos de cordas), é um especialista nas sonoridades do oeste da África, como mostrou à frente de seu grupo Höröya. Ele traz os percussionistas do Senegal Birima Mbaye e Moustapha Dieng, nascidos em Dacar e de famílias de griots, que no Senegal são chamadas de guewel. A música indiana clássica estará representada por três brasileiros, dos poucos especialistas nessa linguagem em São Paulo. Fábio Kidesh, o citarista; Bruna Dias, que toca tampura (um instrumento que faz a base para as melodias, ou ragas); e o percussionista Ricardo Ramesh, responsável pela tabla.

Gig 3

O terceiro grupo vai trazer um encontro entre duas escolas do choro brasileiro, de músicos mais tradicionalistas com representantes de uma escola moderna. Será a vez do improviso dos virtuosismos e das paixões desenvolvidos no início do século 20 para se tornar o primeiro gênero urbano brasileiro. O violonista Zé Garcez, que tem trabalhos com outros violonistas mais puristas, como Luizinho Sete Cordas e Euclides Marques, tem o violão de seis nas mãos, assim como o cearense Cainã Cavalcanti, que prepara seu quarto disco. Cainã desponta em uma geração de instrumentistas de conceito mais livre, surgidos depois de Yamandú Costa e do bandolinista Hamilton de Holanda. Completam a Gig Choro o percussionista e estudioso do gênero Ives Finzetto, o bandolinista vigoroso e também representante da nova escola Henrique Araújo; e a flautista Maiara de Moraes, que acaba de lançar o álbum Nós, produto de uma pesquisa sobre os compositores flautistas na música brasileira.

Gig 4

A última gig será a dos latinos. O improviso para eles, como é também talvez em menor escala para os brasileiros, vai ser muitas vezes uma expressão de alegria incontida, uma explosão emocional que os cubanos colocam o nome de 'descarga'. Os talentos aqui são bem novos, nomes recém-chegados ao País ou que começam a despontar de formações já firmadas. A Gig Latina vai ter o piano da cubana Claudia Rivera, a baterista do venezuelano Gabo Salvatori, o contrabaixo do chileno Pablo Lyon, o saxofone do peruano Alvarito WankaWari e a percussão da equatoriana Emilia Desiré.

Claudia está no Brasil há oito anos e traz a formação sólida dos músicos de Havana. Ela saiu de Cuba para, como diz, ter mais liberdade para trabalhar, longe das burocracias dos fiscais de músicos, e escolheu o Brasil. "A música me trouxe, e eu logo me apaixonei pela harmonia brasileira." Alvarito WankaWari ganhou uma bolsa do Grammy Latino para poder estudar cultura latino-americana e veio parar no Brasil. Seu sobrenome pertence à cultura de um povo indígena pré-inca. "Eles são de uma região central dos Andes que usam escalas pentatônicas (de sete notas)." Emilia e Gabo já tocaram juntos com Claudia em outras ocasiões.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.