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Quase-brasileiro, Devendra traz sua quase-melancolia

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Entretenimento

Quase-brasileiro, Devendra traz sua quase-melancolia

O músico de 36 anos tem, em sua carreira, uma longa e intensa relação com a música brasileira. Fã de Caetano Veloso, a quem já encontrou e com quem tocou, ele também foi influenciado por Tom Zé e Secos e Molhados

São Paulo - De tão próximo ao Brasil, Devendra Banhart começa a se corresponder com o jornal "O Estado de S. Paulo", por e-mail, com uma breve e adorável saudação, mezzo em português, mezzo espanhol e sem acentos. "Hola, um prazer correspondente com voce." No restante, ele opta por voltar ao inglês, a língua-mãe do músico nascido no Texas e criado na Venezuela, país deixado por ele ainda na adolescência para voltar aos Estados Unidos.

E talvez seja a ascendência latina, talvez Devendra tenha sido picado por algum mosquito e se infectado com a tropicália durante o período, mas o fato é que o músico de 36 anos tem, em sua carreira, uma longa e intensa relação com a música brasileira. Fã de Caetano Veloso, a quem já encontrou e com quem tocou, ele também foi influenciado por Tom Zé e Secos e Molhados. Já gravou músicas em português e dividiu o palco com seus ídolos.

"Eu me sinto tão apaixonado e conectado com o Brasil", derrete-se. Agora, o amigo próximo de Rodrigo Amarante (Los Hermanos) e Fabrizio Moretti (The Strokes) inicia sua maior turnê por terras brasileiras. "Mal posso esperar (para voltar)", diz, quatro anos desde a última passagem pelo País.

E, dessa vez, é até possível acreditar na devoção descrita pelo músico. Afinal, serão sete apresentações em nove dias - sim, nove! - pelo País, a começar por esta quarta-feira, 6, no Rio de Janeiro, em um evento organizado pelo site Queremos. Na sequência, ele segue para Recife (dia 7), Salvador (dia 8), Belo Horizonte (dia 10), São Paulo (dia 12), Curitiba (dia 13) e Porto Alegre (dia 14). A apresentação em São Paulo, que integra a programação do festival Popload Gig, terá a abertura da banda O Terno.

O Devendra que desembarca no Brasil, contudo, não é mais aquele muso tilelê do início da carreira, de longas cabeleira e barba, do começo dos anos 2000. Também não soa mais como se Lou Reed tivesse passado uma temporada debaixo do sol dos trópicos, tal qual no fim da década passada, de quando veio o hit Baby, provavelmente a canção mais popular do norte-americano, lançada no disco What Will We Be, o sétimo da carreira, de 2009.

A partir de um hiato que levou quatro anos e chegou ao fim com Mala, de 2013, Devendra reascendeu como um artista minimalista até quando suas canções são acrescentadas de apetrechos sonoros. "Desde Mala, consegui amadurecer e ficar mais confortável comigo mesmo, com o silêncio e o espaço, com a calmaria", explica.

O álbum de 2013 expõe a transição. O momento no qual Devendra percebe ser possível olhar para dentro de si. A começar por Golden Girls, a canção de abertura, com seus vocais sussurrados e o violoncelos atormentadores. Os dias solares não chegaram ao fim para o músico, mas ele soa como se a estação tivesse mudado. Do verão, chegamos ao outono, que ainda nos faz suar, mas também nos obriga, em certos dias, a buscar os casacos no armário.

Ape in Pink Marble, o mais recente trabalho de Devendra, lançado em setembro do ano passado, é a continuação do caminho percorrido pelo músico na nova fase - até a barba e o cabelo estão curtos, vejam só. A introspecção faz o ouvinte caminhar devagar, numa audição tão vagarosa quanto a composição do álbum, de verso a verso, acorde a acorde, por dias a fio. Não é melancólico. É quase. Afinal a visão de Devendra do que há ao redor não se turva nem mesmo nos dias mais nublados. Mantemos o clima e atmosfera que mostramos no disco anterior", concorda Devendra. "(As músicas) são pequenas cenas tragicômicas que acontecem em algum hotel em ruínas, embora aconchegante, em algum distrito bastante isolado do Japão." Precisa ser mais imagético que isso?

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.