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Responsáveis por vazar vídeo de Waack esperam processo da Globo

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Entretenimento

Responsáveis por vazar vídeo de Waack esperam processo da Globo

Robson Ramos e Diego Pereira disseram que o intuito era discutir o racismo

A história do vídeo em que William Waack, âncora do Jornal da Globo, aparece fazendo um comentário racista ganhou mais um capítulo nesta quinta-feira (9). O R7 conversou com os responsáveis por gravar e divulgar as imagens: o designer gráfico Robson Cordeiro Ramos e o técnico de sistemas e ex-funcionário da TV Globo Diego Rocha Pereira.

Diego contou que estava na sede da emissora, localizada na zona sul de São Paulo, quando recebeu o sinal com as imagens feitas em Washington, nos Estados Unidos. Ele ficou indignado com a atitude de Waack e decidiu gravar com o próprio celular.

Robson contou que ele e o amigo decidiram compartilhar o vídeo para um grupo de líderes do movimento negro. A intenção, segundo o designer, era mostrar como um jornalista sério também pode ser racista.

— Achava muita falta de caráter deixar passar isso, principalmente por conta do movimento negro, do que a gente acredita, ainda mais sendo um âncora de um jornal falar uma coisa dessas.

Diego explicou ainda que, após fazer a gravação, mostrou as imagens aos seus supervisores na época. Segundo ele, nada aconteceu. O técnico descartou ter divulgado o vídeo como uma vingança pessoal.

— Percebi que não tomaram providência nenhuma. Acho uma injustiça, ele, como formador de opinião, emitir uma ofensa racial sem qualquer tipo de justificativa. Esse tipo de pessoa não pode ter esse tipo de pensamento.

Segundo Robson, a demora na divulgação das imagens (um ano após a gravação) se deu por acaso. Há uma semana, o designer encontrou o vídeo guardado em seus arquivos e decidiu compartilhar.

Com a repercussão do caso, o designer e o amigo negam terem feito isso em busca de dinheiro ou fama.

— A gente nem sabia a proporção que isso ia tomar, tínhamos soltado apenas para a galera se indignar junto com a gente. Quando ele chegou para mim, até mostrei para a imprensa, mas, na época, ninguém deu vazão. A gente chegou a ouvir “se não é do [William] Bonner não interessa”. Se a gente soubesse, tinha soltado antes.

Robson e Diego têm recebido apoio de outras pessoas pelas redes sociais, mas o designer confessou que eles já esperam represália da emissora.

— Sabemos que a Globo vai nos processar.

Mesmo assim, Diego, que foi demitido da emissora em janeiro de 2017, disse não se arrepender da atitude que tomou.

— Ele [Waack] cometeu um crime, eu não. Me senti ofendido. Estava trabalhando. Desnecessário ofender por nada.

Sobre o sentimento que tem pelo jornalista, o técnico é direto.

— É uma pessoa que precisa de ajuda. Ele é um homem que tem dinheiro e prestígio, tenho pena dele. Tantas pessoas negras que acompanham o trabalho dele e não imaginavam que ele tem esse tipo de pensamento.

O R7 questionou a TV Globo se ela pretende acionar a dupla judicialmente por quebra de contrato de confidencialidade. A comunicação da emissora, no entanto, informou que não vai comentar o caso.

Entenda o caso

William Waack, então apresentador do Jornal da Globo, foi filmado fazendo um comentário racista minutos antes de entrar no ar no noticiário global. O vídeo foi revelado nas redes sociais na útlima quarta-feira (8). Com a repercussão negativa do episódio, o jornalista acabou afastado de suas funções, tanto na emissora carioca quanto na GloboNews. O caso ainda foi destaque no telejornal.

Na imagem, o apresentador está em frente à Casa Branca, em Washington, nos Estados Unidos, ao lado do também jornalista Paulo Sotero, que estava comentando a apuração das eleições presidenciais norte-americanas. Quando se houve o som de uma buzina ao fundo, o jornalista vira para trás e diz “Tá buzinando por quê, seu merda do c...?”.

William Waack continua: “Não vou nem falar nada porque já sei quem é”. O âncora, então, se vira para o entrevistado e diz “É preto!”. O jornalista repete, falando um pouco mais alto.

Paulo Sotero disse ao R7 não se lembrar do episódio nem conseguir entender o que é dito pelo jornalista no vídeo. Mesmo assim, ele negou o racismo.

— Não é algo que tenha ficado registrado na minha memória. A julgar pelo vídeo, reajo a algo que se passa à minha frente no momento em que estou concentrado à espera de um sinal para entrar no ar. No vídeo, não consigo ouvir o que o William me diz. Surpreende-me a informação sobre comentário racista. Não acho graça nenhuma em racismo e não creio que o William tenha postura diferente sobre o assunto.

O vídeo foi gravado em 8 de novembro de 2016.

Com informações do portal R7.com