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Sem famílias da Chapecoense, reunião do MPF com seguradoras termina sem proposta

Esportes

Sem famílias da Chapecoense, reunião do MPF com seguradoras termina sem proposta

Reunião durou cerca de duas horas e contou com representantes das seguradoras controladas pelo grupo com sede em Londres

Estadão Conteúdo

Redação Folha Vitória
Foto: Reprodução

O que poderia ser uma sinalização para uma possível proposta de acordo para as vítimas da tragédia da Chapecoense, acabou sendo apenas uma visita de cortesia. A reunião realizada nesta quinta-feira, a portas fechadas, sem a presença de representantes das famílias ou das vítimas da tragédia, na sede do Ministério Público Federal em Chapecó, durou cerca de duas horas e contou com representantes das seguradoras controladas pelo grupo com sede em Londres.

"Foi apenas uma reunião de apresentação em que eles se colocaram à disposição do MPF", adiantou por telefone, a assessoria do MPF em Chapecó. Em nota, o procurador da República Carlos Humberto Prola Junior informou que entendeu ser melhor a não participação das famílias considerando que a reunião foi solicitada pelo grupo que representa as seguradoras com o MPF apenas.

O pedido feito por representantes da Tokio Marine Klin ocorreu há uma semana da audiência de conciliação marcada para o próximo dia 18 na Justiça Federal em Chapecó. "Evidentemente, qualquer proposta de acordo somente será aceita se houver concordância por parte das famílias/vítimas. O direito envolvido é deles", afirmou o procurador Carlos Humberto Prola Jr.

Mesmo com o aviso do MPF durante a audiência pública da CPI que investiga o acidente da Chapecoense no Senado, na última terça feira, a reunião pegou muitas famílias e sobreviventes de surpresa. É o caso do ex-zagueiro Neto, que soube do encontro entre o MPF e os representantes das seguradoras pela imprensa. "Eu fiquei sabendo pela mídia, não sei nem o que o dizer porque não fui informado do conteúdo ou do objetivo."

A angústia por uma resposta às 68 famílias da vítimas já dura três anos. Na ação civil pública ajuizada pelo MPF em novembro do ano passado, o Ministério Público Federal pede a condenação dos réus ao pagamento de uma indenização por danos morais no valor de US$ 300 milhões e o bloqueio de R$ 52 milhões das subsidiárias brasileiras das seguradoras, corretoras e resseguradoras.

Segundo o MPF, o bloqueio foi negado pelo juiz da 2° Vara Civil de Chapecó, que entendeu não haver indícios de que as seguradoras e resseguradoras em "dilapidar patrimônio ou se evadir da obrigação de efetuar o pagamento" e que o bloqueio dos valores "não determinaria sua destinação imediata aos familiares das vitimas".

Para o advogado Marcial Ferraz Camilo, que representa nove famílias e um dos sobreviventes (Neto), a visita nada mais é do que uma estratégia das seguradoras para tentar reduzir o valor das indenizações. "Se analisados outros aspectos jurídicos envolvidos e que estão presentes na ação ou que ainda precisam ser esclarecidos, como por exemplo a questão da própria responsabilidade civil das seguradoras - o valor proposto pode se multiplicar em 4 ou 5 vezes mesmo considerando o valor inicial da apólice, que seria de US$ 25 milhões."

O Estado entrou em contato com a assessoria de imprensa da Tokio Marine Klin em Brasília e ainda com representantes da empresa que estiveram na manhã desta quinta, em Chapecó, mas não obteve retorno sobre a impressão do advogado das famílias.

Além da companhia aérea La Mia, são réus, na ação do MPF, os grupos que controlam a corretora AON e as seguradoras Tokio Marine Kiln e Bisa Seguros e Resseguros. A tragédia da Chapecoense matou 71 pessoas em 2016. Seis pessoas sobreviveram.