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Novo consultor da ITF, André Sá admite surpresa com mudanças na Copa Davis

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Esportes

Novo consultor da ITF, André Sá admite surpresa com mudanças na Copa Davis

Caso a Assembleia Geral Anual aprovar, a competição se tornará uma espécie de Copa do Mundo

Novo consultor da Federação Internacional de Tênis (ITF, na sigla em inglês), André Sá admite que foi surpreendido com as mudanças anunciadas na Copa Davis, no fim de fevereiro. Pela proposta da ITF, que ainda precisa ser aprovada pela sua Assembleia Geral Anual, em agosto, a tradicional competição entre países vai se transformar numa espécie de Copa do Mundo, disputada somente em uma semana, num mesmo local.

"Fui pego de surpresa, sim. Eles mantiveram o segredo. Mas acho mesmo que a Davis precisava de mudanças", diz Sá, em entrevista ao Estado. As mudanças foram anunciadas apenas quatro dias depois do agora ex-tenista ser efetivado como consultor da entidade, cargo recém-criado. O brasileiro divide a função com a australiana Rennae Stubbs, ex-líder do ranking de duplas. No cargo, eles se tornam intermediários entre os tenistas e a própria ITF.

Pela proposta da Federação, a próxima edição da Davis teria o Grupo Mundial disputado somente em uma semana do ano, em novembro. A competição reuniria 18 países numa sede única, que variaria a cada ano, com disputa de fases de grupos e mata-mata. Os confrontos seriam em melhor de três sets - atualmente é melhor de cinco - e os playoffs e os Zonais continentais manteriam o formato atual.

Apesar da surpresa, André Sá diz concordar com as novidades. "A Davis já provou que este formato não está dando certo. Você tem exemplos esporádicos do que dá certo, que tem público e ambiente, mas no geral não é bem assim. Eles não estavam conseguindo vender o evento. Não estava tendo apelo para o público. E alguma coisa precisava ser feito", afirma.

Para o ex-tenista, aposentado no mês passado, a competição vive um dilema entre a tradição e o negócio. "A Davis é fantástica, 117 anos de história, país contra país. Só que o formato, hoje em dia, não está funcionando para os jogadores. A tradição é maravilhosa, mas no final do mês é preciso pagar as contas. Não tem jeito. Tem que ser um evento viável para todo mundo. Acho que é uma mudança boa", avalia.

Sá acredita que os maiores beneficiados serão os tenistas. "O que eles estão tentando fazer é desenvolver um produto melhor. Isso vai liberar o calendário dos jogadores. Eles vão ter mais três semanas de descanso. Poderão até encaixar outros torneios nestas semanas livres", prevê, ao indicar a criação de eventuais novas competições nos calendários da ATP e WTA.

As mudanças propostas pela ITF, que devem ser aprovadas com facilidade na Assembleia anual, geraram rápida repercussão no mês passado. Especialistas, jornalistas e fãs foram os maiores críticos, principalmente pelo fim dos duelos da Davis "em casa". Com o formato da Copa do Mundo, todos os confrontos do Grupo Mundial ficarão restritos a apenas uma cidade a cada ano.

Na avaliação de Sá, isso não deve causar maiores efeitos para o tênis brasileiro. "A ITF tem o objetivo de colocar as edições em locais diferentes. Mas somente o Grupo Mundial irá mudar o formato. Todos os Zonais vão continuar no mesmo formato. No nosso caso específico, o Brasil joga muito mais o Zonal do que o Grupo Mundial. O público vai continuar assistindo o Brasil aqui."

Em sua função de consultor da ITF, o brasileiro estará focado neste ano nos debates sobre esta mudança no formato da Davis. Sá acredita que as opiniões dos jogadores ainda poderão afetar a discussão. "Serei o elo de ligação. A ITF quer saber os que os tenistas estão pensando sobre isso e sou eu quem vai buscar estas informações. Com este retorno, a ITF poderá tomar melhores decisões de como dar os próximos passos."