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Trajano fecha trilogia da infância com memórias do Maracanã e amigos de 'pelada'

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Esportes

Trajano fecha trilogia da infância com memórias do Maracanã e amigos de 'pelada'

Ele está na pior. Perdeu o emprego na televisão, precisou mudar para um apartamento menor por falta de dinheiro, a saúde não anda boa, os amigos estão morrendo, a namorada cansou das suas reclamações e na rua já nem perguntam mais: "E o Ameriquinha?".

Um grande amigo de José Trajano leu tudo isso logo no primeiro capítulo de "Os Beneditinos" e ligou assustado. "Me perguntou se estava em depressão, me ofereceu uma grana até. Pedi que lesse o segundo capítulo", conta Trajano ao Estado.

A história segue em direção ao reencontro do protagonista com os antigos companheiros de escola, na tentativa de reviver o São Bento Futebol Clube. No entanto, a dificuldade em separar a ficção da realidade não confunde apenas quem é mais próximo, mas qualquer um que conheça um pouco da história de vida do jornalista de 71 anos, que há dois deixou a ESPN e se segura hoje em carreira solo.

Trajano também não faz questão de esclarecer: "Sou eu, mas não sou eu, pô". É como em seus outros dois livros. "Procurando Mônica" e "Tijucamérica" também foram escritos em primeira pessoa e ambos têm o Rio de Janeiro das décadas de 1950 e 1960 como pano de fundo, período áureo da Cidade Maravilhosa, tempo de criação da Bossa Nova, do Cinema Novo e até do América campeão carioca de 1960.

A ideia para a mais recente ficção surgiu justamente para fechar essa trilogia. Em sua estreia na literatura, Trajano escreveu sobre uma paixão de infância, em Rio das Flores, onde passava férias. No segundo, contou histórias do bairro da juventude e ressuscitou os principais craques do América para voltar a dar alegrias aos torcedores. "Faltava os tempos de colégio", disse.

Faltava também um mote para rememorar este período que vivia exclusivamente para o futebol. Época em que Trajano tinha duas preocupações: vencer o arquirrival Santo Inácio com seus companheiros do São Bento Futebol Clube e ir ao Maracanã. Por ser vizinho do estádio, era o anfitrião dos amigos para qualquer partida, não importava o clube.

"Subir a enorme rampa, cruzar o anel do estádio, correr pelo estreito corredor, pisar no degrau/assento da arquibancada e contemplar lá embaixo o gramado verdinho e as cadeiras pintadas de azul em volta do campo aceleravam as batidas do coração, emoção que só o futebol podia proporcionar", escreve na sua mais recente obra.

O gancho só veio durante uma visita à filha em Londres. Trajano ficou sabendo que o sogro dela praticava walking football, um tipo de futebol voltado aos maiores de 70 anos, em que não se pode correr. Então veio a ideia de reunir os antigos companheiros de São Bento Futebol Clube para disputar o campeonato na Inglaterra. Poder desafiar novamente o Santo Inácio.

Coincidentemente, enquanto ainda estava nos primeiros capítulos, recebeu um convite para o encontro dos antigos alunos do colégio São Bento. Trajano não era de ir a essas reuniões por conta da distância. Morava em São Paulo há mais de 20 anos e não iria ao Rio apenas por isso. Mas, desta vez ele foi, reviu todos os parceiros da época e armou uma nova reunião, dias depois, só com a turma do futebol.

O encontro serviu para ele embaralhar ainda mais a ficção e a realidade. E também para dedicar o livro ao Eduardo Amaral, amigo da escola, que lhe passou informações guardadas há décadas sobre os duelos do São Bento FC e que morreu antes de Trajano publicar "Os Beneditinos".

Ao final do livro, quem ainda continuar preocupado com sua vida fora da televisão, ele responde que tudo vai vem. O jornalista hoje tem o Canal Ultrajano nas redes sociais, um programa na Rede Brasil Atual e, no domingo, estreia a primeira temporada do Bonde do Zé, no Canal Brasil. No entanto, se quiser ajudá-lo a manter a Sala do Zé, programa ao vivo que é gravado em sua casa, há também o crowdfunding "Ajude o Zé".

O livro "Os Beneditinos" foi lançado na quinta-feira desta semana, no Rio de Janeiro. No sábado, haverá outra sessão de lançamento, na Folha Seca, no centro. Em São Paulo, haverá tarde de autógrafos no dia 23, na Livraria da Vila, na rua Fradique Coutinho.