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Acusado de pagar propina a Valcke, presidente do PSG depõe na Justiça da Suíça

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Esportes

Acusado de pagar propina a Valcke, presidente do PSG depõe na Justiça da Suíça

O bilionário dirigente catariano, que também é o dono do PSG, se encontrou com promotores federais suíços duas semanas depois de os mesmos revelarem que existe um processo criminal em curso contra o poderoso cartola

Berna - O presidente do Paris Saint-Germain, Nasser Al-Khelaifi, foi interrogado por investigadores da Justiça da Suíça, nesta quarta-feira, em Berna, onde presta depoimento após ser acusado de corrupção durante o processo de escolha de contratos de TV para as Copas do Mundo de 2026 e 2030, cujas sedes ainda serão eleitas pela Fifa. Ele teria pagado propina a Jérôme Valcke, ex-secretário-geral da entidade máxima do futebol, que é suspeito de aceitar "vantagens indevidas" em acordos de mídias para estes Mundiais, assim como também teria sido corrompido durante a negociação dos direitos comerciais desta ordem para as Copas de 2018, na Rússia, e 2022, no Catar.

O bilionário dirigente catariano, que também é o dono do PSG, se encontrou com promotores federais suíços duas semanas depois de os mesmos revelarem que existe um processo criminal em curso contra o poderoso cartola. Homem que também bancou a transferência recorde de Neymar do Barcelona ao Paris Saint-Germain por 222 milhões de euros (cerca de R$ 834 milhões, na cotação atual), Al-Khelaifi nega envolvimento nestes supostos delitos.

O interrogatório com o dirigente era esperado que durasse muitas horas por causa de problemas com traduções e pelas "muitas questões" a serem feitas, informou Andre Marty, porta-voz do escritório da procuradoria geral da Suíça. "O mundo do futebol precisa ser paciente pelos resultados deste primeiro interrogatório", disse Marty do lado de fora do tribunal federal suíço.

Al-Khelaifi não foi visto chegando ao local onde prestou depoimento. E, atuando como CEO do grupo de mídia Bein, anteriormente chamada de Al Jazeera Sports, ele assegurou a obtenção dos direitos de TV para as próximas quatro edições da Copa do Mundo, incluindo a que ocorrerá em seu país em 2022.

No último dia 12, uma megaoperação das polícias da Suíça, Itália, Espanha e França confiscou materiais em diferentes locais, residências e escritórios. As investigações, segundo as autoridades suíças, começaram no dia 20 de março e apontam para "suspeitas de corrupção privada" e gestão desleal. E Al-Khelaifi e Valcke são suspeitos de terem praticado crimes como suborno, fraude e falsificação de documentos ligados ao processo de escolha dos direitos dos Mundiais de 2026 e 2030.

RELAÇÃO PRÓXIMA 

Ex-dirigente de peso da Fifa, na qual era o braço-direito do ex-presidente da entidade Joseph Blatter, Valcke é suspeito de ter usado uma mansão na ilha da Sardenha como parte da recompensa por ter dado os direitos de TV a investidores do Catar. O local, localizado em Porto Cervo, uma das praias mais exclusivas da ilha italiana, é avaliado em 7 milhões de euros (cerca de R$ 26 milhões) e teria sido utilizado por Al-Khelaifi para corromper o francês.

No último dia 11, Valcke compareceu à Corte Arbitral do Esporte (CAS, na sigla em inglês) para depor no seu recurso contra a suspensão de dez anos do futebol imposta a ele por conduta antiética. Supervisor dos preparativos da África do Sul e do Brasil para sediar as edições de 2010 e de 2014, respectivamente, da Copa do Mundo, ele foi acusado de se beneficiar de um acordo ilegal para lucrar com a venda de ingressos no mercado negro para o Mundial realizado em solo brasileiro há três anos.

E a recente megaoperação realizada em conjuntos pelas polícias europeias ocorreu justamente porque Valcke tentou reverter a sua suspensão imposta a ele e consequentemente precisou deixar sua nova residência, nas proximidades de Barcelona, e viajar de volta para a Suíça, país onde fica a sede da Fifa, para depor na CAS em Lausanne.

No caso, o Ministério Público de Berna aproveitou a visita de Valcke ao País para levá-lo para prestar depoimento "na qualidade de suspeito", segundo o órgão. Na CAS, ele se queixou de que a sua reputação havia sido afetada por "mentiras" e que ele estava com a "consciência tranquila" em relação aos seus atos.