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Artilheiro do Brasileirão, Henrique Dourado vive fase de ouro no Rio de Janeiro

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Esportes

Artilheiro do Brasileirão, Henrique Dourado vive fase de ouro no Rio de Janeiro

Nas Laranjeiras, está de bem com a vida e consolidou a sua fama de implacável cobrador de pênaltis. Só este ano, foram 11 e em nove deles o goleiro nem saiu na foto

São Paulo - "Se você quiser conversar sobre novela, eu não saberei o que dizer, pois não acompanho. Mas de futebol eu entendo". Dona Marli tem suas razões para dar tal explicação. Ela sempre acompanhou de perto o que acontece nos campos, sejam eles gramados ou não. Seu marido, Valmir, era jogador na várzea. Dizem que sabia fazer gols. Mas goleador mesmo é o filho. José Henrique da Silva Dourado é simplesmente o artilheiro do Campeonato Brasileiro.

Aos 29 anos, Henrique Dourado vive a melhor fase na carreira. É ídolo da torcida do Fluminense. Já fez 30 gols nesta temporada, 16 deles no Brasileirão. Se continuar nessa toada, vai bater a marca do ídolo anterior, Fred, que em 2011 fez 34 gols com a camisa tricolor.

Nada mau para um jogador que chegou no ano passado justamente para substituir o artilheiro que se transferira para o Atlético Mineiro e que, no começo, quase não fazia gols. Por isso, não foram poucas vezes que a torcida pediu para que levasse o seu jeito desengonçado para outro lugar.

Henrique Dourado ficou chateado. Mas não se abalou. Afinal, se acostumara a desafios desde criança. Desde os tempos em que a mãe o levava para treinar no 18 de Fevereiro de Guarulhos (SP), sua cidade natal. E às vezes, o garoto tinha de ir à pé para o treino, pois não havia dinheiro para condução. Incentivado por Marli e o caminheiro Valmir, o garoto apostou tudo no sonho de ser profissional. Mas em algumas vezes fraquejou e pensou em largar tudo e ir "cuidar da vida".

Em uma dessas ocasiões, estava encostado no Flamengo de Guarulhos, onde se profissionalizou. Os país não deixaram. "Meu pai falou: 'Você lutou tanto para realizar seu sonho, não pode entregar tudo de mão beijada. Vá à luta'. Ele tinha razão, por isso segui em frente", disse Henrique Dourado em 2014, entrevista ao Estado.

Naquela época ele estava no Palmeiras, em sua primeira chance em um grande clube do futebol brasileiro. Até então, perambulara por equipes do interior paulista e do Paraná, sempre fazendo gols, mas nada de chegar à elite. Na realidade até chegou, mas sua experiência no Santos em 2013 resumiu-se a cinco jogos, nos quais passou em branco.

RECOMPENSA 

Henrique Dourado, então, passou por uma Portuguesa que já descia a ladeira antes de chegar ao Palmeiras. E finalmente veio a recompensa. Em forma reconhecimento, advindo dos gols. Em 2014, ele foi o artilheiro do clube alviverde no Brasileirão, com 16 gols.

Foi no Palmeiras também que Henrique Dourado tornou-se o "Ceifador". Em um jogo contra o Sampaio Correa, pela Copa do Brasil, fez o gesto que simula cortar a cabeça dos adversários pela primeira vez. A torcida gostou e a marca pegou. Em seguida, o artilheiro teve uma experiência no futebol português, uma passagem apagada pelo Cruzeiro e em junho do ano passado assinou contrato de quatro anos com o Fluminense.

Nas Laranjeiras, está de bem com a vida e consolidou a sua fama de implacável cobrador de pênaltis. Só este ano, foram 11 e em nove deles o goleiro nem saiu na foto. Na carreira, aliás, só errou o alvo uma vez. Foi em 2014 quando bateu para fora em um jogo do Palmeiras contra o Atlético Mineiro (detalhe: havia convertido, mas o árbitro mandou voltar a primeira cobrança).

Apesar da fama de rei dos pênaltis - seu mais recente gol, na última quarta-feira, contra o São Paulo, foi assim - Henrique Dourado, que este ano já marcou de perna esquerda, perna direita e de cabeça, admite que ainda fica nervoso antes das cobranças. "Não tem aquele pênalti em que você fica mais tranquilo. Em todos dá aquele friozinho na barriga", explicou.

Por isso, antes de cada cobrança reza e respira fundo antes da corrida desengonçada, olhos fixos no goleiro, em direção à bola (para a qual não olha). E a cada cobrança tem feito a alegria da torcida do Fluminense. E a de dona Marli, que sempre que pode vai ao estádio do Maracanã torcer, e vibrar, com os gols do filho.