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FGV reestrutura áreas sociais e demite pesquisadores no Rio

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FGV reestrutura áreas sociais e demite pesquisadores no Rio

Conhecida pelos indicadores pioneiros que criou e até hoje pautam o debate econômico, a Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro (FGV/RJ) conduz ajustes em algumas áreas de prestígio da instituição. Depois de uma rodada de demissões de profissionais renomados no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getúlio Vargas (CPDOC/FGV), os cortes chegaram agora à Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (Ebape).

A coordenadora do Programa de Estudos sobre a Esfera Pública, Sonia Fleury, foi demitida no último dia 13, após 35 anos de serviços prestados à FGV. "Não por acaso, somos todas mulheres, de mais de 60 anos, que construímos a história daquelas instituições, altamente produtivas e que somos do campo democrático de esquerda", diz Sonia, que, em carta aberta ao diretor do Ebape/FGV, Flavio Vasconcelos, conta ter ouvido como justificativa no ato da demissão que ele tinha "um mandato para fazer renovação".

"Atribuo a decisão ao fechamento da sociedade brasileira a qualquer diálogo pluralista. Sempre fui um pensamento alternativo, diferente dentro da escola de administração pública e fui respeitada durante todos esses anos. Agora fui eliminada porque a sociedade escolheu que aquele que tem um pensamento diferente deve ser eliminado", completa.

Questionada pela reportagem se o departamento passa por problemas financeiros ou se há alguma estratégia de reduzir a área social para investir nos demais segmentos, a assessoria de imprensa da FGV informou apenas que a dispensa da professora Sonia Fleury foi uma medida resultante de redução de despesas.

Fontes ouvidas pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado, afirmam que a expectativa é de um novo corte de cerca de 200 pessoas, motivado pela queda de receita com consultorias, por perdas financeiras com a queda dos juros e pela baixa demanda pelas lajes corporativas do novo edifício anexo. A FGV desmentiu, em nota, afirmando "que não há absolutamente qualquer programa de demissão coletiva e que não há sequer qualquer discussão a respeito do tema".

Até agora os movimentos de enxugamento ocorreram nas áreas de pesquisa social e atingiram fortemente pesquisadores que se situam no campo de esquerda. O mesmo motivo de redução de gastos foi apontado como justificativa para a demissão, em janeiro, das pesquisadoras do CPDOC Dulce Pandolfi, Luciana Heymann, Verena Alberti e Mônica Kornis. A dispensa das professoras motivou notas de repúdio e solidariedade no meio acadêmico, como a divulgada pela Sociedade Brasileira de História da Ciência.

"Estamos vivendo uma época de extremo autoritarismo, que não está só no governo, atravessa todas as relações sociais e as instituições. Vai se refletir em que aquele que tem um pedacinho de poder vai tentar eliminar o que lhe é indesejado", afirmou Sonia.

As demissões despertaram comoção entre os alunos da graduação e pós-graduação da FGV, que organizaram um abaixo assinado endereçado ao presidente da fundação, Carlos Ivan Simonsen Leal, pedindo a reintegração imediata das professoras. A petição online teve mais de 2.900 adesões. Houve ainda um ato de protesto na sede carioca da FGV no último mês, com a participação do Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro. Os esforços, porém, foram infrutíferos, e o corte avançou à Ebape.

Agora, uma segunda petição pública foi aberta na internet, dessa vez em solidariedade a Sonia Fleury, apontando que a dispensa da professora teria sido "mais uma ação da Ebape/FGV no sentido de destruir a Administração Pública e cercear o pluralismo e o debate de ideias na escola".