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José Vicente viu na juventude a antena dos novos tempos

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José Vicente viu na juventude a antena dos novos tempos

Com temas da marginalidade, da cultura pop, do absurdo e do nonsense na ponta da lança de muitos artistas, os palcos paulistanos foram preenchidos, no fim dos anos 1960, por textos de um time de dramaturgos e escritores que pensaram a revolução cultural de um jeito que confundiu até mesmo os grupos de teatro de esquerda da época.

Ao lado de Antonio Bivar, Leilah Assumpção, Consuelo de Castro, Isabel Câmara e Carlos Queiroz Telles, o dramaturgo José Vicente escreveu no período mais acirrado da ditadura pós AI-5.

Antes de viver o sucesso de Hoje é Dia de Rock (1970), o autor já relatava o sofrimento de ver um dos irmãos deixar a casa para se tornar seminarista - mais tarde, o próprio Vicente tomaria o mesmo caminho. O episódio aparece em Santidade (1967), sua peça de estreia dirigida por Fauzi Arap. A trama encarava o tema da fé de frente ao expor o debate entre um rapaz, gay, que havia desistido do seminário, como um alter ego de Vicente, e seu irmão, que decidira seguir carreira religiosa e estava prestes a se tornar padre.

O espetáculo produzido por Tônia Carrero foi censurado por marechal Costa e Silva, que declarou na televisão, em cadeia nacional, que a dramaturgia de Vicente era o exemplo de uma peça que jamais seria encenada no País. Santidade ficou maldita por 30 anos até ser recuperada pelo próprio Arap em 1997, quando estreou no extinto Teatro Crowne Plaza, em São Paulo.

Mais tarde, o sucesso de Hoje é Dia de Rock engrossou o coro do movimento da contracultura hippie e antibélico, mas também carregava uma centelha delicada, como uma peça que nasceu após o autor saber da morte do pai. Quando Vicente ganha o Prêmio Molière - que dava direito a uma passagem para Paris -, acaba se autoexilando na Europa. Mais uma vez em terras desconhecidas, ele parece ter revivido a separação dolorosa que fez com a família ao deixar Minas. O que o amparou na época foi a turma da Geração 69, entre eles, Leilah, com quem trocava cartas constantemente para saber notícias do Brasil.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.