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Novo dono do triplex do Guarujá afirma que existe uma história por trás do imóvel

Geral

Novo dono do triplex do Guarujá afirma que existe uma história por trás do imóvel

Ele foi arrematado pelo valor mínimo estipulado no edital, de R$ 2,2 milhões. O empresário Fernando Gontijo tem 3 dias para oficializar o negócio

O empresário Fernando Costa Gontijo, de 64 anos, é o novo dono de um dos imóveis mais comentados do País: o triplex 164-A, no condomínio Solaris, no Guarujá. O apartamento foi o pivô da condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Operação Lava Jato. 

Ele foi arrematado pelo valor mínimo estipulado no edital, de R$ 2,2 milhões. Gontijo tem 3 dias para realizar o pagamento e oficializar o negócio. "O triplex tem mais de 200m², uma vista privilegiada e, por trás dele, existe uma história. É uma aposta, mas acredito que pode ser um bom negócio", disse.

Gontijo atua no mercado imobiliário há mais de 30 anos, confessa nunca ter votado em Lula e se diz apolítico. Ele criou a empresa Guarujá participações especificamente para comprar o imóvel. Em sua carreira de executivo, consta uma passagem pela companhia Via Engenharia - investigada no chamado mensalão do DF (escândalo que veio à tona em 2009 e envolveu o ex-governador do DF José Roberto Arruda).

O apartamento foi arrematado a apenas 5 minutos do fim da primeira fase do leilão virtual - quando a página já registrava 54.900 visitantes.

Para o leiloeiro responsável, Afonso Marangoni, a compra do imóvel já na primeira rodada foi surpreendente. "Imaginava que ele sairia apenas naquilo que chamamos de segunda praça (segunda rodada de venda), quando o preço cairia para 80% do valor estipulado. Nesse caso, R$ 440 mil a menos do que foi gasto para arrematá-lo", disse Marangoni.

Um lance pelo imóvel já havia sido dado anteriormente, por volta das 21h de segunda-feira, 14, por um interessado de Piracicaba, interior de São Paulo. "O próprio interessado solicitou a retirada do lance. Ele, na verdade, tinha dado um lance que não correspondia ao mínimo possível nessa fase do leilão. O cancelamento foi feito através de ordem judicial - que é a única forma de se cancelar uma oferta já dada", comentou Marangoni. Segundo o leiloeiro, foi o juiz Sergio Moro quem autorizou o cancelamento desse primeiro lance.

Condenação

Em agosto do ano passado, na sentença em que Moro condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o imóvel havia sido avaliado em R$ 2,4 milhões. Portanto, ele já teria sofrido uma depreciação de R$ 200 mil no leilão desta terça, 15.

Apesar disso, corretores ouvidos pela reportagem afirmam que o imóvel ainda saiu caro. Muito caro.

O consenso entre os corretores é que o metro quadrado na região está valendo de R$ 7 mil a R$ 8 mil - isso se o imóvel for novo. Em caso de imóvel usado, a variação seria de R$ 5 mil a R$ 6 mil. "Um apartamento no Solaris está avaliado em mais ou menos R$ 600. O triplex, com muito boa vontade, vale R$ 1,8 milhão. Mas poderia ser muito bem adquirido por R$ 1,5 milhão", disse Luiz Lang, proprietário da corretora Verde Mar, que atua no Guarujá.

O apartamento e suas reformas, supostamente custeadas pela OAS, foram apontadas por Moro e pelos desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) como propinas de R$ 2,4 milhões da empreiteira ao ex-presidente.

O site do leilão descreveu o imóvel, e diz que o eventual comprador terá de arcar com suas dívidas. "De acordo com informação da Administração do Condomínio, sobre o imóvel recaem débitos condominiais pendentes de pagamento no importe de R$ 47.204,28 (quarenta e sete mil, duzentos e quatro reais e vinte e oito centavos) atualizados até 10 de abril de 2018, que serão de responsabilidade do arrematante".

Segundo a descrição no site do leilão eletrônico, "no primeiro pavimento há uma sala com varanda, cozinha e área de serviço, lavabo e uma suíte (conforme informações da sra. Mariuza, da empresa OS, a suíte não existia na planta original, havendo modificações e inclusão deste dormitório)".

"No segundo pavimento existem três quartos compactos (sendo um deles suíte), um banheiro e um hall de distribuição."

O site do Canal Judicial, que promove o leilão, também ressalta que o "imóvel possui piso frio em todos os cômodos e armários planejados nos quartos, cozinha, área de serviço, área externa e banheiros". "No local havia, ainda, um fogão, um exaustor e uma geladeira, sem uso e desligados".

"Existe um elevador que integra os três andares, sendo que não foi possível verificar seu funcionamento visto que a luz da unidade não está ligada. Imóvel e móveis (armário e camas) em bom estado de conservação, com exceção dos móveis da área externa (coifa e armários), que apresentam sinais de desgaste e ferrugem. O imóvel possui localização privilegiada, em frente da praia, no bairro jardim Astúrias e atualmente está desocupado", completa.