ES tem 42,7 mil homossexuais e bissexuais, aponta IBGE

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ES tem 42,7 mil homossexuais e bissexuais, aponta IBGE

A pesquisa inédita foi divulgada nesta quarta-feira (25). O resultado faz parte da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) e os dados foram coletados em 2019

Foto: NancyDowd/ Pixabay

Uma pesquisa inédita, publicada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (25), apontou que 42,7 mil adultos que moram no Espírito Santo se declaram homossexuais ou bissexuais. Isso representa 1,4% da população adulta do Estado.

O resultado faz parte da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada em parceria com o Ministério da Saúde. Essa foi a primeira vez que o IBGE coletou dados sobre orientação sexual. 

O levantamento foi feito em 2019, em mais de 100 mil domicílios de todo Brasil. A pesquisa não incluiu identidade de gênero.

Em 2019, a população adulta (com mais de 18 anos) do Espírito Santo era de 3 milhões de pessoas. Desse total, 97,4% (2,9 milhões) se declararam heterossexuais; 1,4% (42,7 mil) homossexuais ou bissexuais; e 1,2% (35,8 mil) não sabiam sua orientação sexual ou não quiseram responder à pesquisa.

Em Vitória, o número de pessoas que se declararam homossexuais foi maior que a porcentagem estadual: 2,4% da população. Isso corresponde a 7 mil pessoas dos 296,6 mil adultos da Capital. Já 1,5% (4,3 mil) dos entrevistados não sabiam a orientação sexual ou não quiseram responder a pesquisa na cidade.

Foto: Reprodução | IBGE


Coordenadora da pesquisa aponta subnotificação 

A coordenadora da pesquisa, Maria Lucia Vieira, apontou para uma possível subnotificação do levantamento. Para a pesquisadora, diversos fatores podem interferir na verbalização sobre orientação sexual, tais como o contexto cultural e familiar, tamanho da cidade de moradia e também a insegurança em falar do tema a um desconhecido.

Outro ponto de destaque da coordenadora para essa subnotificação é o percentual de jovens, de 18 a 29 anos, que não souberam responder (2,1%) ou se recusaram a dar a informação (3,2%), uma vez que o grupo foi o que teve maior número de pessoas que se declararam homossexuais e bissexuais no Brasil (4,8%).

“O maior percentual de jovens que não souberam responder pode estar associado ao fato de essas pessoas ainda não terem consolidado o processo de definição da própria sexualidade. Resultados semelhantes foram obtidos em pesquisas realizadas em outros países, como o Reino Unido, por exemplo”, afirmou Maria Lucia.

Saiba mais sobre a pesquisa do IBGE

Brasil 

A PNS aconteceu em todos os estados brasileiros e cerca de 2,9 milhões de pessoas se declararam homossexuais ou bissexuais. Em 2019, isso correspondia a 1,8% da população adulta. Já 1,7 milhão dos entrevistados não sabiam sua orientação sexual e 3,6 milhões não quiseram responder.

Nos demais estados, o percentual de pessoas que se declararam homossexual ou bissexual chegou a 2,9% no Distrito Federal, 2,8% no Amapá e 2,3% no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Amazonas. 

Porém, de acordo com o IBGE, os percentuais obtidos para os estados não devem ser comparados em função da margem de erro das estimativas.

Dados 

Além do maior número de autodeclarações entre os jovens (4,8%), a pesquisa também mostrou que o número de homossexuais e bissexuais é maior entre pessoas com nível superior e maior renda.

No grupo de pessoas com nível superior, 3,2% se declararam homossexual ou bissexual, percentual significativamente maior do que os sem instrução ou com nível fundamental incompleto (0,5%).

A renda dos entrevistados também influenciou nas respostas. Os maiores percentuais de homossexuais ou bissexuais foram nas duas classes de rendimento mais elevadas: 3,1% entre entrevistados entre três a cinco salários mínimos; e 3,5% entre os entrevistados que moram em casas com mais de cinco salários mínimos per capita.

“Isso sugere que pessoas com maior nível de instrução e renda têm menos barreiras para declarar sua orientação sexual ou ainda maior entendimento dos termos usados”, observa Maria Lucia. “A proporção de pessoas que disseram não saber ou se recusaram a responder foi maior entre aquelas com menor nível de instrução e rendimento”, acrescentou.

Pesquisa é inédita nos domicílios sobre orientação sexual

A PNS abarca mais de 20 módulos temáticos relacionados à saúde da população e aos impactos nos serviços de saúde. O objetivo dela é auxiliar na formulação de ações e promoção de saúde para a população. 

A primeira edição do levantamento aconteceu em 2013 e, na segunda e mais recente edição, realizada em 2019, foram incluídos novos temas, como orientação sexual. 

Essa foi a primeira vez que o IBGE coletou dados sobre a orientação sexual da população brasileira. As informações, segundo o Instituto, ainda são de caráter experimental. Até então, a estatística disponível sobre a temática LGBTQIA+ era a de casais do mesmo sexo.

Segundo o IBGE, a PNS seguiu a metodologia usada em grandes pesquisas domiciliares que realizam esse tipo de investigação no mundo e os resultados estatísticos também foram semelhantes.

Seguindo a metodologia da pesquisa, o entrevistado foi selecionado aleatoriamente dentre os moradores do domicílio, para responder sobre sua orientação sexual. Foi perguntado “Qual é sua orientação sexual?” e o entrevistado podia responder: heterossexual; homossexual; bissexual; outra orientação sexual; não sabe; e recusou-se a responder. 

*Reportagem de Luiza Marcondes