Projetos ajudam crianças, adolescentes e suas famílias em vulnerabilidade no ES

Geral

Projetos ajudam crianças, adolescentes e suas famílias em vulnerabilidade no ES

Instituições acolhem, escutam e orientam a comunidade oferecendo oficinas, como teatro, artes e música, além de atendimentos psicológicos e sociais

Redação Folha Vitória

Redação Folha Vitória
Foto: Pixabay/ Counselling

Em uma pesquisa realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), em parceria com o Fundo das Nações Unidas Para a Infância (Unicef), de 2017 a 2020, o Brasil contabilizou 180 mil crianças e adolescentes sofreram violência sexual. Uma média de 45 mil por ano.

No Espírito Santo, conforme a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), somente nos três primeiros meses do ano, 274 crianças e adolescentes foram vítimas de crimes sexuais. Conferindo uma média de três casos por dia.

Já nos últimos quatro anos, registrou-se mais de 5.753 casos, 64% deles referentes a estupro de vulnerável. 

Especialistas afirmam que em muitos casos, a vítima e o agressor são do mesmo grupo familiar, e isso acaba gerando uma dualidade na cabeça da vítima, especialmente no caso de crianças e adolescentes.

Devido a esse retrato dos números de crianças e adolescentes que tem os direitos violados e a dignidade desrespeitada, existem instituições que acolhem, escutam e orientam a comunidade, como a Caoca e o Secri.

Caoca — Casa de Atendimento e Orientação a Crianças e Adolescentes

Foto: Divulgação/ CAOCA

A Casa de Atendimento e Orientação a Crianças e Adolescentes (Caoca) é um Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, conforme a tipificação da Norma Operacional Básica do Sistema Único de Assistência Social (Nob/Suas).

Caoca está sediada no bairro de Maria Ortiz em Vitória, recebendo municípios de toda a Grande Goiabeiras (Maria Ortiz, Parque Residencial Maria Ortiz, Sólon Borges, Bairro República, Goiabeiras Velha, Antônio Honório, Morro da Boa Vista, Jabour e Segurança do Lar).

O projeto atende 208 crianças e adolescentes, entre 06 e 17 anos, suas famílias e a comunidade em geral com outras atividades ofertadas. Também oferecendo atendimentos psicológico e social para toda a população.

O atendimento é no período do contraturno escolar, oferecendo oficinas diversas, como artes, teatro, expressão corporal, capoeira, maculelê e oficinas socioeducativas que trabalham temas contemporâneos.

Vitória Façanha, coordenadora da Caoca, conversou com o Folha Vitória e contou que um dos maiores desafios é a identificação das vulnerabilidades e violações de direitos analisados.

“Às vezes os pais ou responsáveis já passaram pelas mesmas violações na infância, e existe um trabalho longo e minucioso a ser feito até que eles entendam que algumas situações “comuns” aos seus olhares, ferem o direito da criança e do adolescente; também temos que observar as histórias trazidas pelas famílias e pelas crianças, para entender o cenário que vivem. Por isso é preciso conhecer de perto a realidade de cada usuário, estabelecer vínculos com seu grupo familiar, e ganhar a confiança deles. É necessário tempo, paciência e habilidade”, exemplificou.

Secri — Serviço de Engajamento Comunitário

Foto: Divulgação/ SECRI

O Serviço de Engajamento Comunitário (Secri) é uma Organização da Sociedade Civil (OSC) sem fins lucrativos, atuando há mais de 30 anos no Bairro São Benedito, em Vitória, atendendo também às comunidades vizinhas. 

O Secri tem integração familiar e comunitária, o envolvimento de todos os personagens que compõem a construção do desenvolvimento pessoal e educacional dos usuários do serviço. Atualmente, a Instituição atende 280 crianças, jovens e seus grupos familiares.

A Instituição recebe crianças, adolescente e jovens em situação de vulnerabilidade social, por projetos pedagógicos e culturais, no contraturno escolar promovendo atividades por meio da literatura, artes, corpo e movimento, musicalização, canto coral, percussão e projeto de vida. 

Além de atendimentos sociais, que buscam orientar e encaminhar as famílias à rede socioassistencial do município de Vitória, viabilizando o acesso às políticas públicas. E ações que ampliam o acesso dos jovens às oportunidades de desenvolvimento pessoal, profissional e familiar, por cursos de qualificação profissional.

A coordenadora geral do Secri, Alzirenes Boaventura Dias, contou que um dos maiores desafios no atendimento do público atendido está relacionado à sustentabilidade financeira institucional, que muitas vezes, impede a execução de projetos por um período maior para o público atendido. Já que os projetos da Instituição, geralmente, duram 12 meses.

“Todas as ações do Secri buscam prevenir as situações de violência enfrentadas diariamente por todos os indivíduos atendidos. A violência está presente no dia a dia, dos mesmos, em suas diferentes formas, principalmente àquelas relacionadas à infraestrutura da comunidade onde moram, e a dificuldade de acesso às políticas públicas. A família está a todo tempo envolvida no processo de acolhimento, atendimento e encaminhamento de suas demandas junto à rede socioassistencial do município”, disse a coordenadora.

Como as vítimas podem pedir ajuda e o que as instituições podem fazer para amparar:

Foto: Pixabay/ ThuyHaBich

Como as instituições podem ajudar a identificar vítimas de violência?

Caoca: As vítimas de violência, em sua grande maioria de casos, apresentam: mudança de comportamento abrupta, alteração de humor repentino, tristeza, depressão, marcas físicas, agressividade, ansiedade e falta de confiança nos outros.

Secri: As ações buscam sempre potencializar o protagonismo, a participação e autonomia dos atendidos e sua família. A violência sofrida é identificada não só por meio das atividades do Secri, mas de maneira articulada coma rede socioassistencial, que através dos diversos serviços busca acompanhar toda a família.

No caso das crianças, às vezes elas não falam sobre o que está acontecendo, mas demonstram com sinais. Quais são os mais comuns para que as famílias possam ficar atentas?

Caoca: Em crianças vítimas de violência os sinais sempre são mudanças físicas, vestimentas que cobrem ou escondem todo o corpo, marcas espalhadas pelo corpo, alteração de comportamento e humor repentino, agressividade, depressão e ansiedade.

Também são comuns alterações no sistema digestivo, como diarreia e vômito, olheiras e insônia, caso se avizinhe o compartilhamento de espaço com o agressor.

Secri: É importante que cada família conheça bem sua criança ou adolescente, conheça seus gostos, sentimentos e principalmente saiba identificar suas necessidades através de seu comportamento. 

Muitas vezes a suspeita de violência está na mudança de comportamento. Cada indivíduo reage de uma maneira, o importante é sempre ter diálogo com as crianças e adolescentes.

Em muitos casos, acontece o isolamento, o choro constante, sem motivo aparente, o medo ou repúdio a estar próximo de alguém. Nos casos mais extremos pode acontecer a automutilação, podendo agravar-se para a tentativa de suicídio, mesmo a vítima sendo uma criança.

Quando identificar a violência, o que a família deve fazer? Quem procurar? Quem pode orientar?

Em qualquer caso de violação de direitos as crianças e adolescentes, qualquer indivíduo, deve buscar os órgãos de proteção e garantia dos direitos de criança e adolescentes, como o Conselho Tutelar, onde há profissionais qualificados que irão orientar e intervir na situação, buscando sempre preservar a vítima.

Outro meio é o Disque 100. As situações de violência quando identificadas são encaminhadas para acompanhamento da rede socioassistencial.

*Texto de Ana Paula Brito, estagiária do Folha Vitória.