Cruz suástica é encontrada pichada na Ufes. Reprodução do símbolo é crime

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Cruz suástica é encontrada pichada na Ufes. Reprodução do símbolo é crime

Lei prevê pena de dois a cinco anos, além do pagamento de multa, em caso de infração

Imagem pichada em porta de banheiro da Universidade Federal do Espírito Santo

Estudantes da Universidade Federal do Espírito Santo encontraram uma suástica, símbolo em alusão ao nazismo, pichada em um dos banheiros da instituição, no campus de Goiabeiras. O desenho foi encontrado em um dos banheiros masculinos do Ed VI do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas (CCJE).

A utilização da marca é crime, previsto na lei nº 7.716, de 1989 no inciso 1º, que prevê a proibição de fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo. A pena para quem infringir a lei é de dois a cinco anos de reclusão, além do pagamento de multa.

No mês de setembro, estudantes da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) encontraram o símbolo pichado e enviaram a imagem para a reportagem, que na ocasião acionou a universidade. A Ufes respondeu, por meio de nota, que não foi possível identificar o autor da pichação, pois não há câmeras instaladas nos banheiros da universidade. A nota dizia ainda que cerca de 30 mil pessoas circulam pelo campus diariamente, entre elas, alunos, professores, servidores e visitantes.

Um mês depois, a universidade mandou uma nova nota dizendo a pichação foi identificada hoje, mas a direção do CCJE afirmou que o banheiro será fechado até que a suástica seja removida. A Ufes segue afirmando que não recebeu nenhuma denúncia sobre o fato.

Crime no Brasil

A imagem já apareceu em pelo menos outras duas oportunidades no Brasil ligada à violência e depredação no mês de outubro. Na última segunda-feira (15), a capela centenária de São Pedro da Serra, amanheceu com suásticas pintadas na fachada. A capela fica na cidade Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro. 

Outro caso de grande repercussão aconteceu no dia 8, no Rio Grande do Sul. Uma jovem de 19 anos que vive na capital Porto Alegre, denunciou uma agressão. Três homens teriam desenhado uma suástica na barriga da vítima utilizando um canivete. A jovem agredida registrou boletim de ocorrência sobre o crime.

O que pensam os estudantes?

A reportagem do Folha Vitória foi até o campus de Goiabeiras na manhã desta segunda-feira (15), conversar com os estudantes e saber a opinião deles sobre o símbolo pichado. O estudante Leonardo Vinícius, que cursa Ciências Sociais na universidade, disse que "estamos vivendo tempos de polarização muito grande e infelizmente alguns grupos extremistas saíram do bueiro. O fascismo está despertando na sociedade brasileira e o picho é um exemplo disso", disse.

Outros alunos que estudam no prédio foram procurados pela reportagem, mas não quiseram comentar sobre a pichação.