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Com risco de ser extinta, maior população de Jacaré-de-papo-amarelo do ES está na Serra

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Com risco de ser extinta, maior população de Jacaré-de-papo-amarelo do ES está na Serra

Esses animais podem ser vistos em maior número na área de conservação de uma siderúrgica, localizada no município. Com diminuição das matas, espécie invade áreas urbanas

O município da Serra é onde se concentra a maior população de Jacaré-de-papo-amarelo do Espírito Santo. Foi o que informou o coordenador do Projeto Caiman - Jacarés da Mata Atlântica e pesquisador do Instituto Marcos Daniel, Yhuri Nóbrega. Segundo ele, o projeto de pesquisa e conservação do animal monitora áreas estratégicas em todo o Estado, entre elas Sooretama, Linhares, Cachoeiro de Itapemirim e a Grande Vitória.

De acordo com o pesquisador, o maior objetivo é conscientizar a população para a preservação da espécie, que está entrando em extinção. “Eles [os jacarés] estão sumindo mesmo. A maior parte deles está em uma área de preservação dentro da Arcelor Mittal, ondem encontraram refúgio, pois as regiões de mata estão diminuindo. Com isso, eles se aproximam cada vez mais das áreas urbanas”, afirmou.

Nóbrega explicou que o Projeto Caiman - Jacarés da Mata Atlântica é a principal iniciativa de conservação de jacarés da Mata Atlântica Brasileira. Segundo ele, o Jacaré-do-papo-amarelo, espécie símbolo da Mata Atlântica, é fundamental para a manutenção da saúde e equilíbrio dos ecossistemas na qual estão inseridos.

“Frente ao impacto que as atividades humanas impõem sobre as populações de Jacaré-do-papo-amarelo no Brasil e à necessidade crescente de informação científica sobre a espécie, o Projeto Caiman atua no desenvolvimento de pesquisas inéditas para subsidiar ações conservacionistas no Estado”, destacou.

Ele apontou que uma das grandes ameaças a espécie é a caça, mesmo em locais protegidos. Com isso, a biodiversidade está sumindo. “Com a caça e a perda de mata os animais acabam se refugiando na cidade. É aí que eles aparecem perto de residências, córregos, valões e até em grandes rodovias”, disse o coordenador.

Animais na cidade

Em junho deste ano um jacaré deixou moradores assustados no bairro Cidade Continental, na Serra. O animal apareceu na porta de uma residência, por volta das 20h50, na Avenida Mekong, Setor Ásia. Os moradores estimaram que o tamanho do jacaré chegaria a dois metros. A Polícia Militar Ambiental foi acionada para o recolhimento do animal.

Já em outubro do ano passado, um jacaré foi visto atravessando a avenida Norte Sul, em Barcelona, também na Serra. O flagra foi feito por um policial militar, que passava pelo local na madrugada e foi surpreendido pelo animal. O jacaré foi apelidado de "General", em homenagem a um colega da corporação do militar.

O que fazer ao encontrar um animal desse?

Segundo o pesquisador, o projeto está disponível para atender essas ocorrências. Ele disse que se alguém se deparar com algum animal por perto é só acionar a equipe. 

“Temos equipes especializadas para ir até o local ou até mesmo para tirar as dúvidas da população e dar orientações. O que queremos é preservar a espécie e evitar que eles acabem morrendo”, destacou.

Para entrar em contato com a equipe basta ligar para o número (27) 99573-4483. O telefone está disponível para emergências durante 24 horas, de acordo com Nóbrega.

O projeto

Desenvolvido através do Instituto Marcos Daniel, as principais iniciativas do Projeto Caiman – Jacarés da Mata Atlântica são a pesquisa e conservação de Jacarés brasileiros. O coordenador explicou que as atividades incluem, além do desenvolvimento de pesquisas, a educação ambiental e a formação de jovens pesquisadores através do programa de iniciação científica.

“Trata-se de um projeto pioneiro, fundamental para a conservação da biodiversidade capixaba. O Projeto Caiman é uma iniciativa continua de pesquisa e conservação das populações de Jacaré-do-papo-amarelo (Caiman latirostris). Através do uso do jacaré como uma espécie bandeira, o projeto tem o objetivo de promover a conservação dos crocodilianos e da Mata Atlântica como um todo”, afirmou.

O Projeto Caiman atua em quatro vertentes principais, como pesquisa em conservação, desenvolvimento tecnológico e científico do Brasil, formação de jovens pesquisadores e educação e sensibilização ambiental. Ele também capacita estudantes de diversas instituições de ensino no Brasil e é referência em conservação de jacarés no Brasil.

“O foco do projeto é atuar na Mata Atlântica aqui no Estado. Esse ano começamos a expandir para outros locais e fazer inspeções pontuais. Fizemos o levantamento de saúde no Pantanal e isso vai gerar pesquisas para preservação e criação de políticas públicas. Ano que vem também vamos fazer uma inspeção na Amazônia para conhecimento dos jacarés no Brasil”, apontou.