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Software identifica municípios capixabas mais vulneráveis à mudança do clima

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Software identifica municípios capixabas mais vulneráveis à mudança do clima

Gestores e técnicos do Estado participarão de uma capacitação sobre o sistema nos dias 09 e 10 de agosto em Vitória

Os municípios de Mantenópolis e São Domingos do Norte, localizados na região noroeste do Estado, são os mais vulneráveis à mudança do clima, segundo dados do software Sistema de Vulnerabilidade Climática (SisVuClima), ferramenta que calcula a vulnerabilidade humana dos 78 municípios capixabas à alteração climática. 

No sul capixaba, São José do Calçado foi a cidade com a vulnerabilidade mais elevada, seguido por Ibatiba e Apiacá. Durante os dias 09 e 10 de agosto, ocorrerá uma capacitação sobre o sistema para gestores e técnicos do Estado, de 8h30 às 18h, no hotel Golden Tulip, em Vitória. 

O software é um dos produtos desenvolvidos no âmbito do projeto Vulnerabilidade à Mudança do Clima, executado pela Fiocruz em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e financiado pelo Fundo Clima. Por meio do SisVuClima, gestores e técnicos do Estado poderão avaliar e comparar as vulnerabilidades e os fatores de risco das cidades capixabas e, posteriormente, planejar ações para reduzir os impactos das mudanças climáticas e aumentar a capacidade de adaptação da população a esta nova realidade.

O Espírito Santo e a mudança do clima

Ao considerar um cenário mais pessimista, as informações geradas pelo software podem apontar mudanças significativas nos municípios do Espírito Santo para o período de 2041 a 2070, principalmente na parte sul do Estado. Nesta região, há um indicativo de um aumento de até 4,5°C em Ibatiba. Em cidades como Brejetuba, Iúna e Irupi, a elevação pode chegar a 4,4°C. Na capital Vitória, a temperatura poderá aumentar até 2,9°C.

O Folha Vitória já entrevistou uma das desenvolvedoras do projeto. Confira!

Em relação ao volume de chuvas, observa-se uma diminuição em todo o Estado e a porção norte pode ser a mais afetada. Em Jaguaré, por exemplo, a redução seria de até 44,3% em comparação com o período atual. Em Sooretama e São Mateus, a precipitação diminuiria até 44% e 43,7%, respectivamente. O município menos impactado seria Marechal Floriano, com um percentual negativo de 19,9% em sua pluviosidade.

Para o número de dias secos consecutivos ao ano, índice chamado de CDD, identifica-se uma tendência no aumento do percentual em todas as regiões do Espírito Santo, no entanto, não há uma homogeneidade. A parte norte seria a mais afetada pela estiagem com uma elevação de até 88%, como no caso do município de Sooretama. Em cidades como Nova Venécia, Boa Esperança e Ponto Belo o incremento pode ser de até 81%. Já no sul capixaba, o impacto tende a ser menor. Ibitirama e Iúna teriam um acréscimo de 33%, seguidos de Dores do Rio Preto e Divino de São Lourenço com 34% a mais no período de estiagem em relação ao período atual.

Ferramenta inovadora: diagnóstico e análise sobre o Estado

O SisVuClima é composto por três módulos, dentre eles, o cadastro de informações necessárias para o cálculo dos indicadores, a geração dos índices e subíndices e a visualização de resultados por meio de mapas temáticos e gráficos.

A ferramenta apresenta 67 tipos de informações sobre cada cidade do Espírito Santo, incluindo doenças associadas ao clima, ocorrência de desastres naturais, grupos sociais mais sensíveis à mudança do clima, cobertura vegetal e exposição costeira e os municípios mais vulneráveis às alterações climáticas. Este último, definido como Índice Municipal de Vulnerabilidade (IMV), considera cenários climáticos para o período de 2041 a 2070 e é associado à vulnerabilidade do presente, reunindo dados sobre a população, saúde, infraestrutura, dentre outros elementos. A partir dessa combinação, é possível fazer uma análise sobre como as populações do Espírito Santo poderão ser influenciadas pelas alterações do clima no futuro.

Para o coordenador do projeto e pesquisador da Fiocruz Minas, Ulisses Confalonieri, o software poderá ter uma função estratégica para a gestão estadual. “Os indicadores serão muito úteis, pois ao analisar mapas e gráficos, os gestores poderão avaliar em quais partes do território a população pode estar mais vulnerável à mudança do clima e as mais aptas a se recuperarem de possíveis impactos climáticos”, destaca o pesquisador.

Além das cidades capixabas, o sistema foi desenvolvido para os municípios de cinco outros Estados envolvidos com o projeto: Pernambuco, Paraná, Amazonas, Maranhão e Mato Grosso do Sul. Com a capacitação, 20 gestores e técnicos poderão conhecer e aprender a utilizar o software. No Espírito Santo, participarão representantes das seguintes instituições: secretarias estaduais de Saúde e do Meio Ambiente e Recursos Hídricos; secretarias municipais de Saúde e Meio Ambiente e Serviços Urbanos de Vitória; Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper); Agência Estadual de Recursos Hídricos (AGERH); Instituto Jones dos Santos, Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e Universidade Vila Velha (UVV).

Capacitação sobre o software SisVuClima
Data: dias 09 e 10 de agosto
Horário: 8h30 às 18h
Local: Hotel Golden Tulip Porto Vitória (Avenida Nossa Senhora dos Navegantes, 635, Enseada do Suá – Vitória)