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"Eu não quero nem saber quem é culpado", diz mãe de jovem morto em tragédia na BR 101

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"Eu não quero nem saber quem é culpado", diz mãe de jovem morto em tragédia na BR 101

Por conta das mortes, a prefeitura de Domingos Martins decretou luto na cidade

Os familiares do membro do grupo de dança alemã Aloísio Endlich, uma das vítimas do grave acidente que aconteceu na BR 101, em Mimoso do Sul, contaram que receberam a informação através das redes sociais. De acordo com a irmã do jovem, Fernanda Endlish, a família recebeu a ligação de um amigo avisando que a notícia circulava na internet. 

"Aí começou a bater aquele desespero. Imediatamente nós acessamos e vimos que realmente era com o carro que ele [Aloísio] estava voltando [de Juiz de Fora]. Aí começou aquela angústia de saber se realmente ele era uma das vítimas, qual era o número real das vítimas e nós tivemos acesso a essas informações no final da tarde, quase por volta das 18 horas. Nós ficamos muito tempo sem notícia nenhuma", contou. 

A irmã da vítima disse que tudo tem sido muito triste. "Foi muito triste e ainda está sendo muito doloroso. Confesso que é um buraco que abre nas suas pernas e parece que não tem fim, que você cai nele infinitamente. É uma dor muito grande e infelizmente mais uma vítima de imprudência no trânsito", afirmou. 

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Fernanda ainda lembrou do grave acidente que aconteceu em Guarapari. "Há menos de dois meses nós tivemos tantas famílias que passaram por isso que estamos passando hoje e é muito triste. Uma dor que só quem passa sabe como é. E o que foi feito do último acidente para cá? Foram mais 11 vítimas. Estamos somando quase 40 vítimas em dois acidentes e fica até o nosso apelo para o Estado, o Brasil, o cidadão, pois são várias vidas que se foram e não vão mais voltar". 

Indignada, ele pede para que medidas sejam tomadas para que acidentes assim não voltem a acontecer. "O que fica é a marca deles, a imagem. Ele era uma pessoa muito alegre, tinha um sorriso lindo. Isso que contagiava todo mundo que tinha contato com ele. Era uma pessoa muito querida, assim como os outros. O que fica é a nossa tristeza e a nossa indignação com relação ao que vai ser feito. É mais um transporte de pedra, mais um caminhão, mais um problema na BR e serão mais quantos outros?", destacou.

Por conta do acidente, envolvendo os membros do grupo de dança alemã de Domingos Martins, a prefeitura do município decretou luto.

"Ele sabia que os colegas estavam morrendo queimados"

Um dos sobreviventes foi o adolescente Willian José Mayer, de 17 anos. Ele é membro do grupo de dança desde os cinco anos e costumava viajar para realizar apresentações fora do Estado. Segundo o pai do jovem, Edvaldo Sobreira, ele estava acordado durante o acidente e afirmou ter recebido ajuda para sair de dentro do micro-ônibus.

"Eu conversei com ele ontem, por volta das 18 horas, quando eu cheguei aqui [no hospital] e ele comentou que foi muito rápido. Ele viu o que estava acontecendo, mas não tinha como fazer nada. Ele sabia que os colegas estavam morrendo queimados. É muito triste. Ele estava na frente, do lado do carona. Ele falou que foi um impacto muito forte. Aí começou uma gritaria. Uns conseguiram sair, ele precisou de ajuda e graças a Deus conseguiu. Agora é agradecer a Deus pelos sobreviventes e pedir para confortar as famílias dos que, infelizmente, não estão mais com a gente. A cidade está em choque", relatou o pai.

Ele contou que recebeu um telefonema de um primo avisando sobre o que havia acontecido, mas não tinha noção da real situação. "Eu recebi um telefonema de um primo meu, inclusive a filha dele também estava no coletivo. Ele falou que tinha acontecido esse acidente, mas eu não imaginava que era essa gravidade. Eu consegui falar com uma menina do grupo que disse que ele estava bem e havia sido socorrido. Mas eu não imaginava que teria essa quantidade de vítimas num acidente tão cruel. Não tem explicação", explicou.

"Eu não quero nem saber quem é culpado"

Outra vítima do acidente conseguiu conversar com a mãe, por telefone, horas antes da batida. De acordo com a empresária Anelize Saar, a pior parte vem agora, que é reconhecer o corpo do filho dela, Pedro Lucas Saar Dias, de 16 anos.

"É muito difícil, porque não tem palavra, não tem nada que console, não tem nada que traz de volta. A pior parte vem agora, de ir reconhecer, porque dizem que estão irreconhecíveis. A última vez que falei com ele foi quando estava a caminho. Ele estava dormindo e eu o acordei. Pelo que imagino, acho que foi uma hora antes. Ele falou que estava tudo bem, que tinha almoçado e que estava dormindo. Pelo jeito voltou a dormir, pois disseram que todos estavam dormindo na hora do acidente". 

A mãe do adolescente ainda disse que não quer saber quem foi o culpado e nem quer justiça. "Eu posso dizer por mim que eu não quero nem saber quem é culpado, porque nesse momento não traz ele de volta, isso não me tira a dor, não faz nada. Então, eu acho que se tem algum culpado ele sabe disso, vai pedir perdão para Deus, não sei o que se passa na cabeça dele, mas eu não quero saber quem foi, eu não quero justiça, eu não quero nada. Nada vai trazer o meu filho de volta", afirmou.