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Em ano com novidades, deficientes auditivos e surdos se preparam para realizar o Enem

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Em ano com novidades, deficientes auditivos e surdos se preparam para realizar o Enem

Com o objetivo de se preparar para o Enem, alunos têm um ensino específico para as dúvidas que surgem e as dificuldades das matérias do ensino regular

O Sonho da Suelen Massoti, 20 anos, é conseguir um trabalho e ajudar outros surdos à ingressar em uma Universidade. Para isso, ela vai fazer uma das provas mais disputadas do Brasil: o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que acontece nos dias 5 e 12 de novembro, e é uma das oportunidades que a Suelen tem para realizar o sonho de cursar Pedagogia.

Nascida em Foz do Iguaçu (PR), Suelen veio para o Espírito Santo em 2014 para morar com o pai e, neste ano, vai fazer o Enem pela primeira vez. A estudante faz parte dos 4.993 que se classificaram na hora da inscrição como sendo surdo ou deficiente auditivo (D.A), de acordo com dados do Inep. Mesmo sendo primária na prova, a jovem já sabe em qual área deve se esforçar para conseguir realizar um boa prova.

“Já fiquei sabendo que o português é a parte que vou ter mais dificuldade no Enem. Por isso, estou me esforçando na Língua Portuguesa”, disse Suelen.

Há menos de três meses, Suelen e mais 15 alunos iniciaram na Escola de Surdos Oral e Auditiva Professora Alécia Ferreira Couto, em Vila Velha, o Pré-Enem exclusivo para Surdos e D.As. No projeto, os alunos têm aula de reforço de todas as matérias, principalmente redação, que é a preocupação da maioria dos estudantes na hora de fazer o Exame.

Por não ter a língua portuguesa como primária, os surdos e os D.As enfrentam uma grande dificuldade para construir um texto. Para o professor Arnaldo Ângelo, um surdo ou um D.A pode ser comparado à um falante em um país que não sabe falar a língua dominante.

"Se um Chinês chegar no Brasil ele vai ficar angustiado porque não consegue se comunicar. Ele vai tentar, treinar, mas vai ter dificuldade. Assim é com o surdo", destacou o professor.

Enem acessível

Neste ano, os alunos surdos e D.As vão ter uma novidade: a vídeo prova. Este formato de prova oferece aos inscritos o vídeo das questões e as opções de respostas na Língua Brasileira de Sinais (Libras). Suelen Massoti optou por esta novidade. “Eu escolhi a prova por vídeo. Acho que vídeo prova vai me deixar mais à vontade”, destacou.

No Espírito Santo são 107 alunos na condição surdez e D.As fazendo o exame. Deste número, 52 escolheram vídeo prova, 39 intérprete de libras e 16 candidatos optaram por leitura labial.

Para a pedagoga e intérprete Havila dos Passos, a tecnologia pode não ser a melhor opção para o estudante. De acordo com a professora, a presença do intérprete oferece ao estudante a oportunidade de solucionar duvidas a respeito de termos que ele não conhece. “No vídeo, o aluno pode apenas voltar o vídeo e não pode tirar dúvidas a respeito das palavras. Com o intérprete ele pode pedir explicação e o intérprete vai explicar as dúvidas a respeito de significados de palavras e textos até ele compreender”, destacou a professora.

Havila é interprete e pedagoga na Escola de Surdos Oral e Auditiva Professora Alécia Ferreira Couto, lugar onde funciona o Pré Enem para surdos e D.As na Praia da Costa, em Vila Velha. Segundo a coordenadora, o projeto foi uma porta aberta para os alunos que enfrentam dificuldades na hora de ingressar na graduação.

"Muitos chegam aqui desanimados, sem esperança. Criar o projeto foi a forma de aumentar a auto estima de desses estudantes, mostrar que eles são capazes e que é direito deles. Todos os estudantes esperam ansiosamente pelo Enem", destacou a coordenadora.

* A entrevista aconteceu com o auxilio da interprete Mafalda Vicente.