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Retrospectiva Folha Vitória: racionamento de água reduzido no ES e a natureza mostrou a força em 2017

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Retrospectiva Folha Vitória: racionamento de água reduzido no ES e a natureza mostrou a força em 2017

Enquanto parte do Estado sofria as consequências da chuva, outros locais agonizavam com a seca. No fim do ano, a chuva atendeu a necessidade

A chuva colaborou positivamente com a situação hídrica do Espírito Santo em 2017 | Foto: Pexels

A crise hídrica que o capixaba enfrentou em 2016 fez com que o ano de 2017 já começasse em alerta. Haveria um novo racionamento? Poderia faltar água? Quando a situação dos rios voltaria ao normal? E a chuva, quando viria? Perguntas como essas rondavam a população. As respostas para cada uma delas, viria com o passar dos dias.

Em 2017, o Espírito Santo respirou mais aliviado quando o assunto era o racionamento. A chuva veio em diversas épocas do ano. Algumas vezes mais amena e outras com excesso, causando alagamentos, desmoronamentos e, consequentemente, a volta da situação normal no leito dos principais rios que abastecem diversas regiões do Estado.

Em fevereiro, o nível do Rio Muqui, em Atílio Viváqua, subiu | Foto: Reprodução

Logo no início do ano, o Sul do Estado foi surpreendido pela força da natureza. Em fevereiro, em meio ao clima de insegurança vivido em todo o Espírito Santo, capixabas que moram no interior também sofreram com alagamentos. O município de Alegre registrou, em apenas 24 horas, o total de 99,4 milímetros de chuva. O maior acumulado do Brasil.

Na mesma época, uma tromba d'água atingiu o município de Atílio Vivácqua durante a madrugada e deixou várias ruas alagadas. O nível do rio Muqui, que corta a cidade, subiu rapidamente e atingiu cerca de 70 famílias. Os locais mais atingidos foram a Beira Rio e a Ilha.

As chuvas daquele mês já começaram a apontar efeitos positivos para a melhoria do nível dos principais rios que passam pela Grande Vitória. O Santa Maria, que abastece parte da Capital e todo o município da Serra, saiu da vazão crítica de 3800 l/s para mais de 5321/ls. Já no Rio Jucu, a vazão passou dos críticos 5292 l/s para mais de 7600 l/s e garantiu água para mais de um milhão de pessoas. No entanto, os níveis ainda estavam longe das médias normais para o mês.

Chuva causou estragos em Cachoeiro

O verão já chegava ao fim e a chuva não dava trégua. Ainda no Sul do Estado, houve estragos e alagamentos em vários pontos da cidade de Cachoeiro de Itapemirim. O bairro mais afetado foi o Novo Brasília, onde a água invadiu várias casas e comércio. Quando a água baixou, as ruas ficaram cobertas de lama. Muitos moradores perderam tudo. 

Enquanto algumas localidades sofriam com as consequências negativas da chuva, outros pontos do Estado ainda passavam pelo sofrimento causado pela seca. Na tentativa de amenizar a crise hídrica, o governo estadual anunciou, no Dia da Água, 22 de março, uma série de investimentos e iniciativas realizadas para enfrentar a estiagem.

Dentre os investimentos, estão o lançamento do Plano Estadual de Recursos Hídricos (PERH-ES), as novas ações do Programa Reflorestar, as soluções para a segurança hídrica da parte sul da Região Metropolitana, que engloba os municípios de Vitória, Vila Velha e Cariacica, e a apresentação da Barragem de Marilândia, primeira obra a ser concluída pelo programa, que armazenará 90 milhões de litros de águia e tem como objetivo abastecer a população local por cerca de cinco meses.

Confira a reportagem da TV Vitória sobre os investimentos anunciados pelo Governo do Estado:

O município de São Mateus foi um dos mais afetados com os problemas relacionados à falta d'água. Moradores da cidade estavam recebendo água salgada nas torneiras de casa, o que se fazia necessário a compra de água mineral para o consumo ou para tarefas domésticas. A situação foi tão complicada que a crise hídrica do município foi reconhecida como emergência pelo Governo Federal. Outra medida realizada para amenizar a situação foi a perfuração de poços artesianos em vários pontos da cidade.

As mudanças climáticas acompanharam a chegada da estação mais frias do ano. Há cerca de um mês para a chegada do inverno, a capital capixaba já começava a registrar temperaturas cada vez mais baixas, batendo recordes de frio ainda em maio

Vitória registrou temperaturas baixas durante o inverno

O mês chegava ao fim e a previsão apontava acumulado de chuva acima da média na cidade de Vitória. De acordo com o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), do dia 01 até o dia 29, foram acumulados 180,6 milímetros de chuva. A média normal para o mês é de 86 milímetros. A maior parte deste volume de chuva ocorreu entre os dias 21 e 25 de maio, quando houve formação de áreas de instabilidade e grande acúmulo de umidade associado a passagem de frentes frias.

O topo do Pico da Bandeira ficou coberto de gelo. Foto: Sairo Guedes

O inverno chegou e trouxe o clima frio para o Estado. No início de julho, a paisagem no alto do Pico da Bandeira, no Parque Nacional do Caparaó, na divisa do Espírito Santo com Minas Gerais, amanheceu coberta de gelo. O guia turístico Sairo Guedes registrou fotos do local, no final da madrugada, e as postou em uma rede social. Segundo ele, no momento em que as imagens foram feitas, a temperatura era de 14 graus negativos.

Confira a galeria de fotos registradas no alto do Pico da Bandeira

Inverno de temperaturas baixas, o que fez com que muitos municípios, especialmente os localizados na região Serrana do Espírito Santo, registrassem temperaturas expressivamente baixas nos termômetros.

Enquanto isso, o norte capixaba ainda sofria as consequências da estiagem e São Mateus tentava mais uma alternativa para resolver o problema da água distribuída aos moradores. Dessa vez, foi apresentado um projeto básico para a instalação do novo sistema de abastecimento à Prefeitura Municipal. O objetivo é garantir que os moradores da cidade recebam água dessalinizada em suas casas, um problema histórico da cidade.

O mar avançou e destruiu o calçadão. Foto: Leitor/Whatsapp

Na Grande Vitória e no Sul, a força da natureza foi demonstrada pelo mar agitado, que causou destruição em Meaípe, no município de Guarapari, e em Anchieta. Com a ressaca marítima, árvores chegaram a ser arrancadas na orla da praia. As ondas chegaram a 4 metros em todo o litoral capixaba. A Praia de Meaípe precisou ser completamente interditada por causa do avanço do mar. A liberação do local aconteceu somente quatro meses depois, já em dezembro.

O Município de Guarapari chegou a decretar estado de emergência e calamidade pública, por conta da ressaca (marés altas) que ocasionou o desabamento do muro de arrimo da Orla de Meaípe. O Prefeito Edson Magalhães editou o decreto em agosto, após receber da Defesa Civil e Secretaria Municipal de Obras relatório circunstanciado sobre o perigo gerado à população. A cidade de Anchieta realizou o mesmo processo.

Em setembro, o consumo de água no Espírito Santo retornou ao estado de alerta. A Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh) publicou uma resolução que proíbia a captação de água no período diurno, em todo o Estado. De acordo com a publicação, a recomendação da agência era de que todos os usuários tivessem ações de racionalização do uso de água em caráter sustentável e de forma permanente.

Já em outubro, a falta de chuva no sul do Estado causou problemas para os moradores de Presidente Kennedy. O baixo nível do rio Itabapoana e a presença de água salobra na captação, e também o baixo nível do rio Muqui do Norte, que também corta o município, tem comprometido a captação e o abastecimento no município. E não são só as residências que têm sido afetadas com a falta de água no município. A agricultura também sofre com o problema, o que pode acarretar impactos na economia da cidade.

Uma das propostas do governo para amenizar a crise hídrica foi concretizada com a entrega do Sistema de Abastecimento de Água Reis Magos, o quinto a ser construído na Região da Grande Vitória desde 1909. Está instalado na zona rural de Serra, em Putiri, e estava planejado para ser construído em 2020. Em resposta à pior crise hídrica que já atingiu o Espírito Santo nos últimos 80 anos, o Governo do Estado e a Cesan (Companhia Espírito Santense de Saneamento) anteciparam os planos e entregam à população um novo sistema capaz de fornecer mais de 43 milhões de litros de água tratada por dia, que deve beneficiar diretamente 150 mil moradores de Serra e indiretamente 700 mil habitantes da Região Metropolitana da Grande Vitória, pois vai aliviar a sobrecarga sobre o Sistema Santa Maria da Vitória.

O Rio Doce foi atingido pela lama

A maior tragédia ambiental do Brasil completou dois anos. O rastro do mar de lama que se espalhou por 650 quilômetros entre Minas Gerais e Espírito Santo deixou 19 mortos e todo o leito do Rio Doce em solo capixaba ficou comprometido. Estima-se que, com o rompimento da barragem, 39,2 milhões de m³ de rejeitos de minério tenham percorrido os Rios Gualaxo do Norte, Carmo e Doce até desembocar no Oceano Atlântico. O tsunami de lama afetou diversas comunidades ribeirinhas mineiras e capixabas pelo caminho. Contaminou a água, tirou o trabalho de pescadores que dependiam dos rios para sobreviver, matou animais e plantas.

No último mês do ano, fortes chuvas atingiram todo o Estado e causou uma série de consequências positivas e negativas. Os velhos problemas reapareceram: alagamentos, acidentes, deslizamentos e famílias desalojadas em diversos municípios capixabas. Em Nova Venécia, região Noroeste do Estado, o nível do Rio Cricaré, que corta a cidade, aumentou consideravelmente. O município também registrou um alto acumulado de chuva em apenas 24 horas.

A ponte da Madalena caiu no dia 03 de dezembro

No município de Vila Velha, o aumento da vazão do Rio Jucu ocasionou na queda da ponte da Madalena, tradicional para moradores e frequentadores da região. Construída em 1896, ela ligava a reserva de Jacarenema à Barra do Jucu. O nome é em homenagem à Banda de Congo da Barra do Jucu, que ficou famosa pela música "Madalena do Jucu", de Martinho da Vila.

Os pontos favoráveis da chuva também aconteceram. Houve um grande aumento na vazão nos rios Jucu e Santa Maria da Vitória, de acordo boletim divulgado pela Agência Estadual de Recursos Hídricos (AGERH). O Rio Doce apresenta, atualmente, nível estável e segue fora do estado de alerta.

Registros do rio Doce no dia 14 de outubro [esq.]e no dia 3 de dezembro [dir.]

Segundo o diretor presidente da Agerh, Leonardo Deptulski, as ações realizadas pelo Governo do Estado, em parceria com a população, resultaram na redução dos municípios que passaram por racionamento em 2017. "Em 2016 foram 32 cidades e, neste ano, apenas 10 e mesmo assim, por um curto período. No ano passado, São Roque do Canaã racionou por mais de 60 dias e neste ano foi por pouco tempo", pontuou.

Deptulski também lembrou que o regime de chuva em 2017 colaborou para o reabastecimento das barragens e lençóis freáticos do Estado. De acordo com ele, neste ano aconteceram a conclusão de 10 barragens e outras 20 já estão em adiantado estado de obras. A previsão é que 60 sejam entregues até o final de 2018.

A resolução que restringia a captação de água foi suspensa. Segundo o diretor, as informações atuais é que os principais rios do Estado estão com uma vazão segura nos rios e ainda há uma previsão de chuva para janeiro. "Se isso se confirmar, estaremos bem tranquilos no Estado", destacou.

Mesmo diante desta situação, Deptulski alerta que é preciso haver o uso racional da água, pois, segundo ele, apenas um mês de sol é suficiente para voltar à situação crítica. "A gente sempre reforça que gestão de recursos hídricos depende de todos. Racionar o uso, economizar, fazer reuso, implantar sistemas de irrigação mais econômicos. Isso permite um monitoramento para atravessar os momentos de crise de uma forma melhor", afirma.