Ciclista morto no Sul do ES: filho suspeito de matar o pai foi adotado há 24 anos

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Ciclista morto no Sul do ES: filho suspeito de matar o pai foi adotado há 24 anos

O corpo que pode ser de Duramir foi localizado nesta segunda-feira (04) e passou por exame de DNA, no Serviço Médico Legal (SML) da localidade

Isabella Arruda

Redação Folha Vitória
Foto: Reprodução Instagram

O filho suspeito de matar Duramir Monteiro Silva, de 56 anos, ciclista e motorista de aplicativo conhecido na região de Cachoeiro de Itapemirim, havia sido adotado pela vítima há cerca de 24 anos. A informação foi dada pelo delegado Felipe Vivas, da 7ª Delegacia Regional do município.

O corpo que pode ser de Duramir foi localizado nesta segunda-feira (04) e passou por exame de DNA, no Serviço Médico Legal (SML) da localidade, para confirmar a identidade. 

Além do rapaz, a companheira dele também teria sido responsável pelo assassinato. Juntos, teriam esfaqueado o ciclista, enrolado o corpo em um lençol, em um tapete e em um edredom e o levado para uma propriedade rural. Segundo Vivas, em coletiva de imprensa nesta terça-feira (05), o casal jogou o cadáver em uma fossa seca, onde foi ateado fogo.

“Depois que o enrolaram, o colocaram no porta-malas do carro, passaram em um posto de gasolina, compraram combustível com o cartão da vítima, seguiram para uma propriedade rural dessa menina. Lá retiraram o corpo, colocaram em uma fossa seca - que vamos apurar se foi cavada para o crime - jogaram três litros de gasolina no corpo, atearam fogo, esperaram o fogo baixar, jogaram mais combustível e fogo e, ao amanhecer, com a fumaça alta, apagaram o fogo e voltaram para Cachoeiro. Lá pararam em uma padaria para tomar café. Foi tudo de uma frieza surreal”, contou.

Para tentar esconder as marcas do crime na casa onde as facadas aconteceram, o casal passou a limpar o local com cloro e alvejante, usando inclusive escova de dentes. 

“Mas sem sucesso, fizemos perícia e acusou sangue praticamente na casa toda. Representamos pela prisão e ele já está preso. Também pedimos por busca e apreensão na casa. Foram encontrados R$ 20 mil em espécie na casa, além de um fardamento da Polícia Civil, com distintivo, algema, pistola airsoft, coturno e roupa tática. Vamos verificar o porquê disso”, acrescentou o delegado.

Também em coletiva, Felipe Vivas informou que a ex-esposa do motorista de aplicativo, mãe do suspeito, morava no mesmo local que os envolvidos, em uma residência que era dividida ao meio. “Ela percebeu algo estranho no dia do crime e fez chamada de vídeo. Mas o filho dissimulou o que estava acontecendo, dizendo que estava tudo bem, tinha até som alto. A partir daí, o casal ficou vários dias limpando a casa, sem parar, para que ninguém percebesse nada”, disse.

A motivação teria sido suposto assédio sexual

Segundo alegação do filho da vítima, que confessou ter cometido o crime junto à companheira, a motivação do assassinato teria sido um suposto assédio, com conotação sexual, à noiva gestante.

“Eles alegam que a motivação foi o Duramir ter tentado agarrar, com finalidade sexual, a companheira desse rapaz. Mas nós vamos ainda apurar se procede ou se tem outra motivação, sobretudo com cunho patrimonial. Há várias contradições e uma frieza surreal neste caso”, disse a autoridade policial.

Uma das questões que chamam à atenção é que a vítima desapareceu ainda no dia 28 de junho e apenas no dia 1º de julho o desaparecimento foi noticiado.

“Esse rapaz e a companheira residiam com o senhor Duramir. A iniciativa de informar sobre o desaparecimento foi da irmã, então isso já causou estranheza. O rapaz e a companheira narraram, inicialmente, que saíram de casa no dia 29 porque a jovem estaria passando mal por conta da gestação. Então teriam ido à Santa Casa, depois a uma farmácia e depois para um bar. Já quando foram ouvidos nesta segunda (04), os confrontamos dizendo que iríamos levantar imagens, e já mudaram o discurso, falando que não era aquilo que tinha acontecido no dia”, narrou o delegado.

Ao terem mudado a versão dos fatos, o suspeito passou a dizer que o crime foi cometido porque o pai teria tentado “agarrar a noiva dele”. A partir de então, a jovem teria golpeado o sogro, e o filho a teria apoiado com outros golpes.

Indiciamento

Pelos crimes, o casal deverá responder, segundo a autoridade policial, por homicídio doloso qualificado por meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima, além da destruição do cadáver.

O corpo da vítima foi levado para o Serviço Médico Legal (SML) de Cachoeiro de Itapemirim e já foi feita a coleta de DNA de um familiar, para confirmar que o cadáver é mesmo do ciclista. O resultado do exame deve sair em aproximadamente 30 dias.

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