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Retrospectiva Folha Vitória: Sumiço de Thayná mobilizou o Estado e suspeito foi preso em Porto Alegre

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Polícia

Retrospectiva Folha Vitória: Sumiço de Thayná mobilizou o Estado e suspeito foi preso em Porto Alegre

Os ossos da jovem foram encontrados perto de uma lagoa em Viana e só foram reconhecidos através de exame de DNA. Relembre o caso!

A partir desta terça-feira (26), o jornal online Folha Vitória começa a publicar a Retrospectiva 2017. Em quatro dias, diversas reportagens vão relembrar os fatos que marcaram o ano dos capixabas em todas as áreas: polícia, saúde, economia, educação, meio ambiente, clima. 

Entre crises políticas, crises econômicas, tragédias nas estradas federais que cortam o Espírito Santo, inúmeros casos de violência doméstica que repercutiram até mesmo em âmbito nacional, o sumiço, até pouco tempo inexplicável, de uma jovem comoveu e mobilizou milhares de capixabas. 

Em outubro deste ano, o desaparecimento de Thayná Andressa de Jesus Prado, de 12 anos trouxe à tona o amor de uma mãe, aliado com o desespero e sofrimento, pela distância da filha. Faltavam informações. Começava uma verdadeira saga de Clemilda Aparecida de Jesus, de 31 anos, em busca da filha. 

Vários protestos marcaram a luta da mãe de Thayná. Por dias, por semanas, capixabas sentiram um pouco do sofrimento de Clemilda.  A primeira manifestação aconteceu no dia 24 de outubro e interditou a BR-101, em Viana.

A menina desapareceu após ir até um supermercado. No dia 31 de outubro, a polícia divulgou a foto do suspeito de ter sequestrado a jovem, identificado como Ademir Lúcio Ferreira Araújo. No mesmo dia, também foram divulgadas as imagens de videomonitoramento que registraram o momento em que a adolescente entrou em um carro.

Em busca por informações sobre o paradeiro da filha, Clemilda Aparecida de Jesus se reuniu com o secretário de Estado de Segurança Pública, André Garcia, no dia 3 de novembro. A Secretaria de Segurança Pública informou na época que uma força tarefa tinha sido criada e policiais de 10 delegacias especializadas, além do serviço de inteligência, estavam trabalhando para solucionar o caso. Além disso, um novo mandado de prisão havia sido expedido contra o suspeito.

Ainda sem respostas, familiares e amigos realizaram outro protesto, no dia 6 de novembro, interditando o trânsito em frente ao Palácio Anchieta, sede do governo estadual, em Vitória.

Pistas

Já no dia 7 de novembro, a polícia informou que o carro usado no dia do desaparecimento de Thayná havia sido apreendido. De acordo com a Polícia Civil, o veículo era utilizado por Ademir. Ele foi localizado em Guarapari, com um vendedor de queijos, que disse tê-lo comprado por R$ 5 mil em Cobilândia, próximo à feira do bairro, em Vila Velha. 

No dia 10 de novembro uma ossada foi encontrada nas proximidades de uma lagoa, localizada na região conhecida como Parque Industrial, em Viana. O delegado José Lopes, responsável pela investigação do crime, disse na época que era provável que o corpo tenha sido queimado, pois houve registro de fogo na região.

Um dos golpes mais duros para dona Clemilda, mãe de Thayná, e também para familiares, amigos e todos os capixabas que se comoveram com o caso, veio ainda no dia 10 de novembro. Um vestido que estava próximo à ossada encontrada pela polícia foi reconhecido pelo padrasto de Thayná como sendo da menina. Ele e a mãe da estudante estiveram no Departamento Médico Legal (DML) de Vitória para fazer o reconhecimento das roupas encontradas junto com a ossada. Segundo o delegado José Lopes, a primeira peça de roupa apresentada não foi reconhecida por Clemilda como sendo da filha. No entanto, em seguida foi apresentado um vestido ao padrasto, que afirmou que ele pertencia à menina.

Ao ouvir isso, a mãe de Thayná se sentiu mal, caiu no chão e precisou ser retirada do local. Muito abalada, ela preferiu nem ver o vestido.

Prisão

O acusado de sequestrar a estudante foi preso na noite do dia 12 de novembro. Ademir Lúcio Ferreira Araújo, de 55 anos, foi encontrado sozinho em uma praça pública, localizada no Centro de Porto Alegre. Após a prisão, a polícia ainda gravou um vídeo com a versão dele sobre o caso.

A mãe de Thayná rebateu as declarações dadas por Ademir no vídeo. Clemilda afirmou que, ao contrário do que ele declarou na gravação, nem ela nem a menina o conheciam. No vídeo, o suspeito disse que, no dia do crime, voltava do bairro Universal, em Viana, quando viu a jovem na rua. Segundo ele, a menina o reconheceu e ele a convidou "para dar uma volta". A mãe, no entanto, garantiu que essa versão era falsa. 

'Graças a Deus a polícia prendeu o monstro', publicou Clemilda em uma rede social

Outros crimes

Além desse caso, o suspeito de sequestrar, violentar e assassinar Thayná responde por crimes de estelionato, receptação, extorsão e ameaças em pelo menos três estados brasileiros. De acordo com a polícia, somente no Rio Grande do Sul, onde mora o filho, Ademir possui 22 passagens pela Justiça e já foi detido por estelionato, receptação, extorsão e ameaças. O suspeito também já foi detido em Minas Gerais, acusado de ter matado o namorado da sogra, em 2015.

No Espírito Santo, Ademir tem passagens por homicídio, roubo e estelionato. Ele também é suspeito de ter estuprado uma menina de 11 anos, três dias antes de ter sequestrado Thayná. Na época desses crimes, Ademir morava em Viana, junto com a namorada.

Ele também teve a prisão preventiva decretada referente ao processo que responde devido a uma suspeita de estupro de uma outra menina, de 11 anos. De acordo com o titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), delegado Lorenzo Pazolini, responsável pela investigação do estupro da menina, Ademir ficará preso por tempo indeterminado.

DNA

Dias após o encontro da ossada que poderia ser da filha, Clemilda esteve no Departamento Médico Legal (DML) de Vitória para que fosse feita a coleta de seu material e, dessa forma, a polícia realizar o exame de DNA para confirmar se a ossada encontrada pertencia realmente a Thayná. Após 25 dias, o resultado do exame de DNA feito na ossada encontrada em Viana saiu e foi confirmado que o corpo era da menina.

No último dia 5, a mãe da estudante fez a liberação do corpo. O velório aconteceu na Assembleia de Deus, em Flexal II, Cariacica. Já o sepultamento foi realizado no cemitério do bairro Aparecida, também em Cariacica.

“Eu quero júri popular”, diz mãe de Thayná sobre suspeito de cometer crime

Foram dias de angústia, perguntas sem respostas. Depois 50 dias, a mãe da adolescente disse que se sentia confortada em poder sepultar a filha, mas ressalta que a história não acaba.

“Eu estou aqui e não posso nem falar que com o corpo dela. Dói toda vez que ouço as pessoas se referindo a minha filha a aquela ossada encontrada em Viana. Eu quero que ele vá a júri popular e que aconteça agora, enquanto está quente. Tem que ser agora enquanto está no calor, quando as pessoas lembrem do que ele fez. Eu quero pena máxima em tudo. Se algum processo dele não for pena máxima, eu grito. Ano passado ele estava atrás das grades, este ano ele vem aqui e faz isso com a minha filha”, declarou Clemilda.