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Defesa de ajuste fiscal não mobiliza eleitores, diz reitora de Oxford

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Política

Defesa de ajuste fiscal não mobiliza eleitores, diz reitora de Oxford

Num momento em que o governo e investidores estão alinhados com um discurso em defesa do ajuste das contas públicas no Brasil, a reitora da Escola de Governo Blavatnik da Universidade de Oxford, Ngaire Wood, disse nesta quinta-feira, 15, que temas fiscais não mobilizam o eleitorado, enquanto o discurso sobre segurança pública tem um apelo maior.

"Eu acho frustrante que políticos estejam concentrados quase que exclusivamente na necessidade de equilibrar o orçamento e controlar a inflação, isso não é uma visão que mobiliza as pessoas", disse a reitora, durante painel sobre liderança no Fórum Econômico Mundial sobre América Latina, em São Paulo. "É claro que é sensato, mas o que podemos fazer é nos unir para ajudar os políticos a ter uma visão mais transformadora e mais ousada."

Ela citou o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, e disse que ele agrada uma parcela considerada do eleitorado identificando o que as pessoas querem ouvir. "Esse cara é louco, mas as pessoas pensam: finalmente, um político que entende qual é o meu problema."

Ngaire comentou que as pessoas têm motivos para estar ansiosas quando a renda está em declínio, ao defender que o novo modelo econômico não seja baseado apenas em redistribuição e crescimento, mas também em devolver a dignidade a essas pessoas, como garantir o acesso das crianças à educação. "As pessoas precisam de moradias dignas, não ficar na rua quando adoecem, as crianças precisam ter a chance de educação. Precisamos voltar para esses temas básicos", defendeu a reitora. Ela reforçou que a mensagem dos políticos precisa ser simples, não apenas simplista.

Populismo

O presidente da Nestlé, Paul Bulcke, lembrou que a América Latina terá seis eleições neste ano e outras seis no ano que vem. Ele defendeu reformas estruturais nos países da região e afirmou que o processo eleitoral pode ser um "ponto de virada", mas alertou para o risco do populismo.

"Todo mundo sabe o que precisa ser feito, ainda assim as coisas de curto prazo sempre ganham o discurso. O populismo é a forma de simplificar o que os outros não fizeram, você fala da parte que os outros não falaram e a população é sensível a isso", comentou.

Já o presidente do Itaú Unibanco, Candido Botelho Bracher, disse que os políticos precisam ouvir os eleitores e saber quais são seus "pains points", ou seja, "pontos de dor", assim como as empresas fazem ao ouvir seus clientes. "Isso é uma grande carência entre as nossas lideranças políticas hoje." As novas lideranças do Pais, para ele, precisam conhecer bem a rotina dos eleitores, como por exemplo quanto tempo gastam por dia no transporte público.

Ele frisou a responsabilidade das empresas não apenas com seus acionistas, mas também com a sociedade. "Uma empresa não terá sucesso ao longo do tempo se não cuidar da sociedade e de seus funcionários."

No mesmo painel, a empresária Luiza Trajano, presidente do conselho de administração do Magazine Luiza, disse que empresários e governos não podem aceitar que 60% da população brasileira ganhe menos do que R$ 2 mil mensais. "A gente precisa estar atento às pessoas mais simples que trabalham na empresa, à faxineira que anda quatro horas para chegar ao trabalho e que está conosco", declarou, sendo aplaudida em seguida. Em conversa com jornalistas, Luiza falou ainda que a sociedade brasileira está mais consciente sobre ser protagonista no cenário político. "Ela não pode terceirizar esse protagonismo. É preciso contribuir para que as coisas saiam e não só ficar esperando dos políticos."