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Ex-funcionário da Alesp diz ter sido obrigado a fazer empréstimo

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Política

Ex-funcionário da Alesp diz ter sido obrigado a fazer empréstimo

Um ex-servidor da Assembleia Legislativa de São Paulo diz ter sido supostamente coagido a fazer empréstimos a uma "empresa fantasma", em benefício de um ex-vereador. O comissionado era lotado no gabinete da deputada estadual Clélia Gomes (PHS). Além dos empréstimos, ele também afirma que devolvia e controlava a contabilidade de um suposto esquema de desvio de salários dos ex-funcionários da parlamentar.

O ex-funcionário, que não quis se identificar, entregou ao jornal O Estado de S. Paulo documento de um empréstimo consignado de R$ 20 mil à D&J Participações. A sede da empresa é uma residência na zona norte de São Paulo. O contato registrado na Receita Federal é o escritório de contabilidade do ex-vereador Laércio Benko, presidente do partido de Clélia em São Paulo.

Em visita à sede da empresa, a reportagem encontrou uma casa e tocou a campainha. Da sacada do segundo andar da residência, uma mulher que se diz "Vera Lúcia" alega que "não tem empresa nenhuma".

Ela não recebeu a reportagem alegando que precisava "cuidar do neto" e negou conhecer Benko e a deputada. A empresa está em nome de Dulce Helena de Souza e Judy Kelly Rufino. A reportagem não conseguiu contato com elas.

Depoimentos no Ministério Público citam também que funcionários "fantasmas" do gabinete de Clélia trabalham no escritório do ex-vereador.

A reportagem ligou - gravando - para o telefone da D&J e quem atende confirma que se trata do escritório de contabilidade de Benko no Morumbi.

"Nós somos divididos, aqui é a contabilidade. Tem o financeiro, onde ele [Benko] vai sempre. Questionado sobre nomes dos funcionários de Clélia, como Christopher Ranieri. "O Cristopher, ele fica nos três escritórios, ele fica cada dia rodando em um". Ele também confirma que Rosângela Cardoso da Silva fica em escritórios de Laércio.

Em seguida, a reportagem ligou para outro escritório de Benko e pediu para que a chamada fosse transferida para Rosângela. "É Rosângela Cardoso, né?", questionou o Estado. "Isso". Quando questionada se seria uma funcionária fantasma, desligou.

A reportagem retornou o contato e, atendida por outra funcionária, recebeu a resposta de que "a Rosângela está na Assembleia". "Acho que quem falou com você foi a Gabriela". Por meio de sua própria assessoria, Benko confirmou que Rosângela estava no endereço, no bairro do Morumbi, e foi ela que atendeu o telefonema. No entanto, justifica que o local é um escritório do PHS custeado pelo próprio ex-vereador.

Defesas

Com a palavra, Laécio Benko

O advogado Laércio Benko, vice-presidente nacional do PHS e presidente estadual da legenda em São Paulo, esclarece alguns questionamentos feitos pela reportagem:

- Desconhece a investigação que teria sido aberta pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, mas está à disposição dos promotores de Justiça para quaisquer esclarecimentos. Aliás, está acionando a Justiça para pôr fim a uma tentativa de extorsão que tentaram praticar contra ele e a deputada Clélia Gomes. Exigiam dinheiro para não levar adiante denúncias falsas de que funcionários da parlamentar dariam parte de seus salários a ele e que deveriam trabalhar em seus escritórios de advocacia.

- Nunca recebeu qualquer remuneração de salários de funcionários de parlamentares do PHS e nem obrigou ninguém a trabalhar em seus escritórios.

- A funcionária Rosangela Cardoso, além de trabalhar com a deputada é também tesoureira do PHS e foi localizada no escritório político do partido, que funciona no bairro do Morumbi.

- Nunca soube de empréstimos feitos por funcionários de parlamentares bem como não conhece a empresa D & J Participações.

- O site do TSE tem espaço para informar apenas um endereço. Foi deixado o endereço da Avenida Rio Branco, porque lá é imóvel próprio do partido.

- O escritório de representação política é de responsabilidade do Laércio Benko, sem ônus ao PHS. A escolha do local foi uma questão logística, já que está próximo à Assembleia Legislativa e ao Palácio dos Bandeirantes, e fica mais fácil prefeitos, vereadores e deputados irem ao escritório quando vêm à São Paulo para tratar assuntos nas sedes do Legislativo e Executivo estadual.

- Com relação ao atendimento telefônico, os funcionários são orientados a atenderem sempre informando que falam do PHS. Se houve uma falha de comunicação o problema será corrigido.

Com a palavra, Clélia Gomes

"Nota de esclarecimento

A Deputada Estadual Clélia Gomes vem a público esclarecer que, no dia 01/03, última quinta-feira, recebeu um e-mail anônimo no qual continha ameaças e tentativa de extorsão por meio de inverdades relacionadas à conduta de seu mandato.

O caso segue na justiça e a cópia do boletim de ocorrência já foi disponibilizada e entregue à imprensa após a Deputada ter sido procurada para esclarecer a denúncia infundada de ex-funcionários que, descontentes com o eventual desligamento do gabinete, tentam prejudicá-la em ano eleitoral.

Vale ressaltar que, a deputada não recebe ou recebeu devolução de salário e estará contribuindo com o Ministério Público durante toda investigação, inclusive, faz questão de que todos os fatos sejam devidamente apurados.

Sua conduta é transparente e a deputada não compactua com qualquer ação que seja imoral e contra os princípios éticos e trabalhistas.

Att;

Assessoria Deputada Estadual Clélia Gomes."