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Biometria pode cancelar 400 mil títulos em São Paulo

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Política

Biometria pode cancelar 400 mil títulos em São Paulo

Pela disposição da Justiça, quem não se regularizar terá o título eleitoral cancelado

A obrigatoriedade do recadastramento biométrico em 84 cidades no Estado de São Paulo pode diminuir em cerca de 400 mil o número de eleitores registrados pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) nessas cidades. Em números absolutos, o maior expurgo deve acontecer em Guarulhos, na Grande São Paulo. Ali, 163.891 eleitores não haviam procurado até esta terça-feira, 8, os cartórios e postos judiciais para regularizar sua situação - o prazo acaba às 18 horas desta quarta-feira, 9.

Pela disposição da Justiça, quem não se regularizar terá o título eleitoral cancelado. Assim, o eleitorado de Guarulhos deve diminuir 17,1% em relação ao registrado até então na cidade - 955.381. O prefeito do município, Gustavo Henric Costa, o Guti (PSB), afirmou que vai pedir ao TRE a flexibilização da regra.

"Basta pensar que perto de 600 municípios do Estado tem uma população inferior ao número de eleitores que Guarulhos perderá devido à biometria. É natural que os candidatos a deputado que têm suas bases eleitorais na cidade sejam prejudicados. Isso vai gerar um impacto alto", disse ele.

O prazo para o eleitor fazer a biometria havia acabado em março. Na época, 225 mil eleitores de Guarulhos perderam o prazo e ficaram com seus títulos suspensos. Desde então, 62 mil foram à Justiça para regularizar a situação e poder votar em 2018. "A cidade estava uma loucura hoje (terça), com filas que dobravam os quarteirões nos cartórios eleitorais. Muita gente ainda está se atualizando", afirmou o deputado federal Eli Correa Filho (DEM).

Segundo maior colégio eleitoral do Estado, a cidade é a única dos municípios mais populosos da região metropolitana em que os eleitores foram obrigados a fazer a biometria para as eleições deste ano. Para o deputado federal, a diminuição do eleitorado na cidade não o surpreende. "No primeiro e segundo turno das eleições para prefeito o número de ausentes é mais ou menos isso."

Segundo o parlamentar, no primeiro turno foram 17% de ausentes, na época, cerca de 150 mil eleitores não compareceram às urnas. No segundo turno, esse número pulou para 22%. "Acho que é uma oportunidade que a biometria está oferecendo para filtrar o cadastro de eleitores que faleceram, pessoas que foram para outras cidades", afirmou. Correa foi candidato à prefeito em 2016 e disputou o segundo turno com Guti.

Para o deputado estadual Alencar Santana (PT), uma série de motivos explica o alto índice de eleitores que não fizeram a biometria. Um deles é a falta de campanhas de comunicação mais efetivas por parte do TRE-SP. "Quem trabalha em São Paulo, por exemplo, não ficou sabendo. Faltou uma campanha mais forte de comunicação. Eu mesmo tenho distribuído folhetos em feiras e locais de grande concentração de pessoas", afirmou. De acordo com o deputado petista, outro fator que dificultou o cadastramento em Guarulhos foi a concentração em poucos lugares dos pontos de biometria.

Para o prefeito, diversos fatores podem estar por trás do fato de mais de 160 mil não terem procurado a Justiça. "Eles podem passar até pela descrença de uma parte da população na política em razão da série de escândalos que envolveram o governo federal nos últimos anos."

O baixo comparecimento no recadastramento afetou outras cidades, como Sorocaba, com até então 507.470 eleitores. Até março, 94.661 deles não haviam se recadastrado. Esse número caiu nesta terça para 68.124. A cidade com pior índice no Estado era Meridiano, na região de São José do Rio Preto. De 3.895 eleitores 2.737 haviam procurado o cartório eleitoral (70,2%).