Jovem que gravou vídeo de "maconhaço" em apoio a Lula não é filha da deputada Maria do Rosário

Política

Jovem que gravou vídeo de "maconhaço" em apoio a Lula não é filha da deputada Maria do Rosário

Publicação em rede social reacende debate sobre perigo das fake news e a importância de checagem de informações

Marcelo Pereira

Redação Folha Vitória
Foto: Reprodução redes sociais

A jovem que aparece no vídeo que circula no Facebook chamando para uma convocação em formato de "maconhaço", em apoio à candidatura em 2022 do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), não é filha da deputada federal petista Maria do Rosário. 

Nas imagens, a jovem convida que os seguidores façam um encontro coletivo para fumar maconha em apoio ao "pai Lula". A produção não é convite para um evento real, mas uma peça humorística.  

Ao contrário do que é divulgado nas redes sociais, também não se trata da filha da parlamentar e sim uma personagem conhecida como Fernanda Minazzi ou Fê Minazzi, interpretada pela atriz e humorista Rafaella Gapo, conhecida por promover sátiras a movimentos de esquerda.  

"Meu Deus!!! Que orgulho de Maria do Rosário!", diz uma das publicações compartilhadas no Facebook com dois vídeos compilados, a foto da deputada, a frase 'Filha da Maria do Rosário' e a estrela do PT. Conteúdo semelhante circula no Instagram, no Twitter, no YouTube e no TikTok. 

Agências de checagem de fatos comprovaram que o vídeo não é recente. Ele foi feito em 2016. Ele voltou a circular no início deste mês e já soma mais de 25 mil visualizações.

As pesquisas também checaram que a gravação em que Minazzi convoca para um "maconhaço" a favor de Lula e da democracia também circulou em março de 2021, no contexto de quarentena pela pandemia de covid-19. 

Maria do Rosário citou gabinete do ódio para desmentir parentesco

O suposto parentesco entre a atriz e a deputada foram negadas por ambas. Maria do Rosário afirmou que um "gabinete do ódio" continua em atividade.

"Novamente tá rolando nas redes um vídeo com a fake news de uma menina apresentada como minha filha. Aquele vídeo é mentiroso e isto não é um acaso. É injusto q p/ me atacar, usem minha família. Compartilhe a verdade e contribua p/ desmontar o gabinete do ódio e derrotar mentiras!", publicou Maria do Rosário.

Já a artista esclareceu que não é filha de Maria do Rosário e disse que não é a primeira vez que fazem essa associação entre as duas. 

"(sic) Muitas pessxas estão postando meus vídeos com uma informações falses!!! Então vim aqui afrodecer essa situação: eu não sou filha da Maria do Rosário! Em boras eu a veje como uma mães espiritual pra mim!", registrou a humorista Rafaella Gapo.

O perfil da humorista no Facebook está sinalizado como personagem fictício, o que significa que os conteúdos são sátiras ou vídeos de humor. 

Secretário da Saúde do Espírito Santo também foi vítima de fake news

Políticos de repercussão nacional não são as únicas vítimas de fake news na internet. Basta ser protagonista de um assunto do momento, geralmente controverso, que conteúdo enganoso começa a proliferar. 

O secretário de Estado da Saúde do Espírito Santo, Nésio Fernandes, foi vítima de uma fake news no auge da pandemia de coronavírus este ano. Ele usou as redes sociais para negar a autoria de um texto que estava sendo compartilhado em aplicativos de troca de mensagens e que foi atribuído a ele em janeiro.

A mensagem intitulada "Chegamos ao Pico" dizia que especialistas afirmavam que o Espírito Santo iria viver períodos difíceis e pedia que as evitassem visitas a parentes e familiares devido ao alto risco de contaminação e ainda fala sobre o isolamento social.

Apesar do aumento no número de casos de covid-19 no Espírito Santo, Nésio afirma que o texto não foi escrito e divulgado por ele. O secretário lembrou ainda que o compartilhamento de mensagens falsas pode ser enquadrado como crime.

Leis contra fake news ainda são discutidas na Câmara

A Lei de Combate a Fake News, que torna crime quem divulgar notícias falsas na internet e que foi proposta pelo deputado federal Orlando Silva (PC do B), está em análise pela Câmara dos Deputados após ter sofrido alterações no Senado. 

O projeto foi aprovado pelos senadores em junho de 2020, retornando para ser objeto de estudo de um grupo de trabalho na Câmara no final do ano passado.

Entre as regras já definidas, o texto torna crime promover ou financiar a disseminação em massa de mensagens com informações falsas por meio de contas automatizadas, as chamadas “contas robôs”. Além disso, também:

- Limita o encaminhamento de mensagens e mídias para vários destinatários em aplicativos de mensagem;

- Proíbe o funcionamento de “contas robôs" não identificadas;

- Prevê que todo conteúdo publicitário ou impulsionado esteja indicado, mesmo quando a mensagem for compartilhada ou encaminhada.

Um outro projeto, a PL 6.812, de autoria do ex-deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB), dizia que “Constitui crime divulgar ou compartilhar, por qualquer meio, na rede mundial de computadores, informação falsa ou prejudicialmente incompleta em detrimento de pessoa física ou jurídica”. 

As punições previstas são detenção e multa. “Detenção de 2 a 8 meses e pagamento de 1.500 (mil e quinhentos) a 4.000 (quatro mil) dias-multa”. 

A proposta também está em análise. Ambas não têm prazo para irem à votação em plenário. 

Fake news é crime e pode resultar em prisão, alerta especialista

A facilidade da informação instantânea, possibilitada pela internet — especialmente por meio das redes sociais —, requer responsabilidade por parte de quem propaga tais mensagens. Caso não haja o devido cuidado, essa mensagem pode virar desinformação.

De acordo com o especialista em segurança digital e professor de Direito Penal, Raphael Pereira, a orientação é que as vítimas de notícias falsas procurem a polícia.

Ele alerta ainda que autores de fake news podem responder criminalmente, podendo ser punidos com prisão.

Foto: TV Vitória
O professor de Direito Penal, Raphael Pereira, diz que quem cria e quem compartilha informação falsa pode ser responsabilizado criminalmente

"Desde crimes contra a honra, como calúnia, injúria e difamação, até crimes mais graves, como denunciação caluniosa, que tem pena prevista de reclusão de dois a oito anos", pontuou.

Além disso, quem repassa a informação inverídica não está livre da responsabilização. "Não só quem cria a desinformação pode ser duplamente responsabilizado, mas quem propaga isso também, sem o devido cuidado, sem a devida cautela", frisou.