Entenda por que nem todos com comorbidades no ES poderão se vacinar contra a covid-19

Saúde

Entenda por que nem todos com comorbidades no ES poderão se vacinar contra a covid-19

No Espírito Santo são pelo menos 393 mil pessoas com comorbidades que terão direito à vacinação, mas é preciso estar atento aos critérios definidos pelo Ministério da Saúde

Bianca Santana Vailant

Redação Folha Vitória
Foto: Assessoria Prefeitura Vila Velha

Mais de 390 mil capixabas aguardam a vez na fila da campanha de vacinação contra a covid-19. Isso porque, segundo a coordenadora do Programa Estadual de Imunizações da Secretaria de Estado de Saúde (Sesa), Danielle Grillo, as pessoas com comorbidades, entre 18 e 59 anos, serão as próximas na lista de prioridades para imunização. 

Mas, apesar de trazer esperança para muitos, nem todos os capixabas que têm comorbidades fazem parte deste grupo que será contemplado nas próximas semanas. 

É o caso de uma parcela dos hipertensos, por exemplo. No Brasil, segundo o IBGE, mais de 1 milhão e novecentas mil pessoas, que fazem parte da faixa etária contemplada, foram diagnosticadas com algum grau de hipertensão. No Espírito Santo, são 435 mil. Ou seja, pouco mais de 27% dos capixabas que têm a doença estão na faixa etária de 18 a 59 anos. 

Somente o número de pessoas que sofrem de hipertensão, já ultrapassa o número total de pacientes aptos a se vacinarem no Estado. Por isso é preciso estar atento às especificações determinadas pelo Ministério da Saúde. 

O mesmo acontece com outras doenças, como as cardiopatias e os problemas renais crônicos, por exemplo. Danielle explicou que nem todas as comorbidades são consideradas. É preciso atender ao critério determinado no Plano Nacional de Vacinação. 

“Tem um público específico. Pessoas com diabetes, cardiopatia, pneumopatia crônica e cirrose, por exemplo”, explicou.

Ainda de acordo com a coordenadora, o recorte deverá ser feito por idades. “Como é um público muito grande, no Estado são pelo menos 393 mil pessoas com comorbidades, possivelmente faremos a vacinação escalonada por idade. Primeiro de 50 a 59 anos, depois 40 a 49 anos e assim por diante”, afirmou a secretária.

Foto: Fernando Frazão/ Agência Brasil

O que dizem os especialistas

De acordo com a pós-doutora em epidemiologia, Ethel Maciel, vacinar a população com comorbidades fazendo um recorte por idades é a melhor estratégia, já que é difícil saber como o vírus vai se comportar em cada organismo. “Não temos muitas doses de vacinas disponíveis, então acredito que para o serviço operacionalizar melhor, é necessário que seja dessa forma”, explicou.

Ainda segundo a especialista, a principal dificuldade será garantir a disponibilidade das doses para todos que precisam. “O maior problema vai ser a organização das doses, que chegam à conta gotas. Como as doses ainda são muito limitadas, é preciso ter um controle maior”, disse.

Laudo para comprovar

Para se vacinar, será preciso comprovar que é portador de alguma das comorbidades listadas pelo Ministério da Saúde. “Vai ser necessário comprovar que apresentam essa comorbidade, levar um laudo médico que ficará retido com o intuito de evitar fraudes. Ou seja, primeiro precisam estar dentro da lista, e depois comprovar”, resumiu Danielle Grillo.

Leia também: Vacinação de pessoas de 50 a 59 anos com comorbidades deve começar no final de abril no ES

Algumas comorbidades contempladas no Plano Nacional de Vacinação segundo o Ministério da Saúde 


- Hipertensão

De acordo com o Plano Nacional de Vacinação do Ministério da Saúde, nem todos os hipertensos terão direito ao imunizante. Para se vacinar, é necessário que o paciente se enquadre nas seguintes categorias:

Hipertensão Arterial Resistente (HAR) - Quando a pressão arterial (PA) permanece acima das metas recomendadas com o uso de três ou mais antihipertensivos de diferentes classes, em doses máximas preconizadas e toleradas, administradas com frequência, dosagem apropriada e comprovada adesão ou PA controlada em 13 uso de quatro ou mais fármacos antihipertensivos

Hipertensão arterial estágio 3 - PA sistólica ≥180mmHg e/ou diastólica ≥110mmHg independente da presença de lesão em órgão-alvo (LOA) ou comorbidade

Hipertensão arterial estágios 1 e 2 com lesão em órgão-alvo e/ou comorbidade - PA sistólica entre 140 e 179mmHg e/ou diastólica entre 90 e 109mmHg na presença de lesão em órgão-alvo e/ou comorbidade

- Diabetes

Segundo dados do IBGE, Mais de meio milhão de brasileiros, com idades entre 18 e 59 anos, sofrem de diabetes. A doença também afeta muitos capixabas nesta mesma faixa etária, são 106 mil diabéticos. Neste caso, todos têm direito à vacina.

- Cardiopatias

Quem sofre de alguma cardiopatia, é popularmente conhecido como cardíaco. No país, de acordo com o IBGE, mais de 390 mil pessoas têm algum problema no coração. Segundo o IBGE, mais de 60% dos capixabas com cardiopatias têm entre 18 e 59 anos.

Como acontece com os hipertensos, para ter acesso à vacina, é preciso se enquadrar em pelo menos uma das seguintes categorias:

Insuficiência cardíaca (IC) - IC com fração de ejeção reduzida, intermediária ou preservada; em estágios B, C ou D, independente de classe funcional da New York Heart Association

Cor-pulmonale e Hipertensão pulmonar - Cor-pulmonale crônico, hipertensão pulmonar primária ou secundária

Cardiopatia hipertensiva - Cardiopatia hipertensiva (hipertrofia ventricular esquerda ou dilatação, sobrecarga atrial e ventricular, disfunção diastólica e/ou sistólica, lesões em outros órgãos-alvo)

Síndromes coronarianas - Síndromes coronarianas crônicas (Angina Pectoris estável, cardiopatia isquêmica, pós Infarto Agudo do Miocárdio, outras)

Valvopatias - Lesões valvares com repercussão hemodinâmica ou sintomática ou com comprometimento miocárdico (estenose ou insuficiência aórtica; estenose ou insuficiência mitral; estenose ou insuficiência pulmonar; estenose ou insuficiência tricúspide, e outras)

Miocardiopatias e Pericardiopatias - Miocardiopatias de quaisquer etiologias ou fenótipos; pericardite crônica; cardiopatia reumática.

Doenças da Aorta, dos Grandes Vasos e Fístulas arteriovenosas - Aneurismas, dissecções, hematomas da aorta e demais grandes vasos

Arritmias cardíacas - Arritmias cardíacas com importância clínica e/ou cardiopatia associada (fibrilação e flutter atriais; e outras)

Cardiopatias congênita no adulto - Cardiopatias congênitas com repercussão hemodinâmica, crises hipoxêmicas; insuficiência cardíaca; arritmias; comprometimento miocárdico

Próteses valvares e Dispositivos cardíacos implantados - Portadores de próteses valvares biológicas ou mecânicas; e dispositivos cardíacos implantados (marca-passos, cardio desfibriladores, ressincronizadores, assistência circulatória de média e longa permanência)

- Problemas renais crônicos

No Estado, ainda de acordo com os dados do IBGE, 20 mil pessoas entre 18 e 59 anos sofrem de problemas renais crônicos. No Brasil, esse número se aproxima dos 146 mil. Mas, para ter acesso à vacinação, de acordo com o Ministério da Saúde, também é preciso atender a um critério pré-determinado.

Doença renal crônica - Doença renal crônica estágio 3 ou mais (taxa de filtração glomerular < 60 ml/min/1,73 m2) e/ou síndrome nefrótica