Após 14 dias de espera, mãe que deu à luz ao descobrir doença grave no ES conhece a filha

Saúde

Após 14 dias de espera, mãe que deu à luz ao descobrir doença grave no ES conhece a filha

Penélope Leite Pires, de 31 anos e Louise, de apenas duas semanas de vida, finalmente se encontraram. Momento foi marcado por muita emoção

Foto: Yuri Marinho Silva
Mãe e filha, se encontram pela 1ª vez, 13 dias após o parto de emergência e a cirurgia cardíaca de Penélope (mãe da Louise)

Enfim, o tão sonhado encontro entre mãe e filha aconteceu. Foram 13 dias de espera, internada no Hospital Evangélico de Vila Velha, desde que Penélope Leite Pires, de 31 anos, foi diagnosticada com Doença Hipertensiva Específica da Gravidez (DHED). Com 35 semanas de gestação, ela precisou passar por uma cesariana de emergência e, logo em seguida, por uma delicada cirurgia no coração.

Louise nasceu pequenina e teve que ser transferida para a Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal (UTIN) do Hospital Dr. Jayme Santos Neves, na Serra, no mesmo dia em que nasceu, 26 de abril. Depois, seguiu para uma unidade da UTIN na Pró-Matre. 

Por isso, o Dia das Mães, celebrado neste domingo (8), foi adiado para esta segunda-feira (9), quando Penélope recebeu a filhinha nos braços. O momento foi cercado de emoção. Hoje também é comemorado o aniversário do primogênito de Penélope, Leonardo, de 13 anos. 

A família é de Aracruz, Norte do Estado. Penélope aguardou o marido chegar para que juntos pudessem ver a filha. O encontro foi breve e aconteceu dentro da Unidade de Terapia Intensiva Infantil. A bebê segue internada aguardando ganhar peso para também receber alta.

Foto: Divulgação/Sesa-ES
Penélope cercada pela equipe do Hospital Evangélico de Vila Velha

Doença hipertensiva que atingiu gestante é rara

Segundo o médico cardiointensivista, que acompanhou o caso de Penélope, a Doença Hipertensiva Específica da Gravidez (DHED) é uma condição muito rara e bastante grave.

Penélope chegou na Maternidade de Alto Risco do Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves para acompanhar o estado de saúde da bebê, que apresentava um baixo desenvolvimento fetal. Foi quando se queixou de dores no peito que não melhoravam com analgésicos.

"Acontece um rasgo na aorta que é a principal artéria do organismo, que sai diretamente do coração, e está submetida a alta pressões. Então, pode levar a uma ruptura e a quadros como Acidente Vascular Cerebral (AVC) (...) Se não tratada, tem chance de 80% de óbito, explicou o médico.

Penélope contou que chegou a ficar três vezes internada no Jayme, antes de engravidar, o que até virou motivo de preocupação durante a gestação. O que ela não imaginava é que isso fosse gerar algo tão grave no coração, a ponto de ser necessária uma cirurgia de grande porte. 

A paciente fez aniversário no dia seguinte à cirurgia e ao nascimento de Louise, em 27 de abril. Ela está extremamente emocionada com tudo o que aconteceu.

“Sou grata à equipe que salvou a minha vida e a vida da minha filha. Eu nasci de novo junto da minha filha”, disse.

Foram apenas 5 horas entre a realização dos exames, a organização da logística para a cirurgia e o início do procedimento. Diretora técnica do hospital, Juliana Tavares lembra como aconteceu todo o processo.

“A equipe se mobilizou de maneira ímpar. Daqui da unidade foram um obstetra, que estava de plantão, uma enfermeira e uma técnica de enfermagem berçarista. Mas precisávamos de mais profissionais, já que o quadro era muito grave. Foi, então, que um neonatologista da equipe e dois obstetras que estavam de folga se prontificaram, saíram de suas casas, e também participaram da cirurgia. No HEVV, os colegas cirurgiões cardíacos nos aguardavam”, destacou.

A paciente chegou no Hospital Evangélico por volta das 14 horas, fez um parto cesárea de emergência e, logo em seguida, a cirurgia no coração. “Fizemos um procedimento de reparo da artéria aorta que estava dissecada e a reconstrução da válvula aórtica. Foram três horas de cirurgia. Essa é uma doença muito grave e, caso não fosse realizada a cirurgia, a paciente não sobreviveria”, explicou o coordenador do Serviço de Cardiologia do HEVV, Diogo Barreto.

Equipe do hospital diz ter presenciado um milagre

“O que nós presenciamos foi um milagre! A partir do momento que recebemos a informação sobre o estado de saúde da paciente, fizemos um plano estratégico para recebê-la. Toda a equipe ficou comovida, preparamos a estrutura do hospital para oferecer o atendimento imediato e acolhemos a paciente para que ela tivesse o contato direto com o marido pelo telefone”, contou a coordenadora do Pronto-Socorro do HEVV, Kelem Oliveira.

Para o médico Diogo Barreto, a integração entre os profissionais foi essencial para obter êxito no procedimento.

“Essa é uma situação de extrema emergência médica que precisa de uma mobilização muito grande das equipes. O Hospital Evangélico é referência em cardiologia e nós temos a preocupação de fazer os procedimentos no menor tempo possível para salvar vidas. Vale ressaltar que a integração entre os profissionais dos dois hospitais foi fundamental para que mãe e filha sobrevivessem”.