Quantas vezes é possível pegar covid? Especialistas explicam

Saúde

Quantas vezes é possível pegar covid? Especialistas explicam

Não existe limite de vezes. À medida que o vírus varia, adquire capacidade de infectar a mesma pessoa novamente

Isabella Arruda

Redação Folha Vitória
Foto: Divulgação/Sesa

Diante da 5ª onda da covid-19 no Espírito Santo, com crescimento da curva de casos, internações e óbitos pela doença, a preocupação volta a bater à porta dos capixabas. Segundo o secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, em coletiva de imprensa realizada no último dia (22), a nova expansão teve um comportamento de crescimento exponencial.

Neste quadro de manutenção da covid-19, a reportagem do Folha Vitória ouviu especialistas para entender se existe um limite de vezes em que uma mesma pessoa pode contrair a doença.

Segundo o médico infectologista Lauro Ferreira Pinto, infelizmente não há um máximo de vezes. Apesar disso, quem pega a doença em um determinado momento, provavelmente irá demorar a desenvolvê-la novamente.

“O que sabemos é que quando a pessoa pega uma vez, ela tem uma proteção contra a reinfecção, tem uma chance entre 80 a 90% de não ter de novo no período de 6 meses. Ou seja, se 100 pessoas pegarem covid essa semana e forem expostas, no período de 6 meses provavelmente só 10 vão ter a doença de novo”.

Nas palavras do médico, não é comum ver uma pessoa que pegou quatro vezes, por exemplo. “Vejo até uma terceira vez, geralmente. Mas isso não significa que tenha limite, até porque, à medida que o vírus varia, adquire capacidade de infectar a pessoa de novo. Apesar de não haver limite de vezes, existem pessoas que nunca pegam Covid, são naturalmente imunes e a ciência está tentando explicar isso”, disse o especialista.

No mesmo sentido, a epidemiologista Ethel Maciel, pós-doutora, professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e consultora da Organização Mundial de Saúde (OMS), explicou que, enquanto o vírus faz mutações e novas variantes vão surgindo, as pessoas podem se reinfectar.

“Difícil é se reinfectar com a mesma variante, mas não há um limite, à medida que as mutações são infinitas. O que existem também são pessoas imunes ao vírus, que são poucas e há estudos para identificar o que as leva a não desenvolverem a doença, para que novas vacinas e medicamentos possam ser feitos. À medida que o vírus evolui, a ciência também vai evoluindo. Nesse momento a Pfizer e a Moderna já anunciaram vacinas de nova geração, remodeladas para a variante Ômicron”, destacou a professora.

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E em relação às pessoas vacinadas?

Já com relação às pessoas já vacinadas, Lauro Ferreira Pinto explica que estas costumam desenvolver menos a doença. “Mas não necessariamente há uma diferença grande. O que muda é que elas transmitem a covid por menos tempo. A vacina também diminui a gravidade da infecção”, disse.

“Há também um esforço em discussão de desenvolver uma vacina que consiga proteger das variantes. Seja uma nasal ou não, que consiga proteger de todo e qualquer coronavírus. Já existem testes e estudos neste sentido. O que as vacinas disponíveis resolveram até aqui foi covid grave. O óbito é muito mais raro em vacinados do que em não vacinados, mas, é claro, não é impossível: há algumas pessoas com muitas comorbidades que, mesmo vacinadas, morrem de gripe e podem também morrer de covid”, acrescentou Lauro.

De todo modo, para evitar a doença, o infectologista segue recomendando o uso de máscara. “Estou usando máscara em ambiente fechado e acho que vale à pena, principalmente para os mais vulneráveis”, frisou.

A consultora da OMS, Ethel Maciel, reforça a necessidade. “Desde que as vacinas tiveram um impacto com a variante Ômicron, orientamos que seja mantida a máscara em locais fechados, porque temos uma diminuição de efetividade vacinal para infecções leves, ainda que elas funcionem bastante para a proteção de formas mais graves da doença”, finalizou.

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