Órgãos de gestante que morreu levam esperança de vida para quatro pessoas

Saúde

Órgãos de gestante que morreu levam esperança de vida para quatro pessoas

A retirada dos órgãos aconteceu no hospital Jayme Santos Neves, na Serra. Ao todo foram doados : coração, fígado e os dois rins

Redação Folha Vitória

Redação Folha Vitória
Foto: Reprodução/ Sesa

Um ato de amor, em meio a dor da perda. A família de uma jovem gestante de apenas 19 anos, que faleceu após um acidente vascular cerebral (AVC), transformou o luto em esperança para outras famílias. 

Nesta quinta-feira (09), foi autorizada a doação dos órgãos dela e em seguida, realizada a captação dos múltiplos órgãos que poderão salvar vidas de outras quatro pessoas.

A retirada dos órgãos para doação, aconteceu no Hospital Jayme Santos Neves, na Serra. Ao todo, foram retirados : coração, fígado e os dois rins.

As equipes para captação vieram de Minas Gerais e do Rio de Janeiro. É que os órgãos vão beneficiar pacientes dos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul.

“Esse é um momento muito delicado. De um lado, temos uma família que perdeu seu ente querido, mas que, ainda assim, se colocou no lugar do outro e consentiu com a doação. Do outro, temos quatro pacientes que lutam de alguma forma pela vida e que, graças a esse 'sim' familiar poderão recuperar a esperança e hoje ganharam o melhor presente que poderiam imaginar”, declarou a diretora técnica do Hospital Dr. Jayme, Juliana Tavares.

A última ação como essa, que aconteceu no hospital, foi em julho de 2020. Com a chegada da pandemia da covid-19 mudanças na rotina e o perfil de atendimento da unidade precisaram serem feitas

A doadora

Após apresentar um estado de saúde grave, a gestante foi encaminhada para a Maternidade de Alto Risco do hospital Dr. Jayme. Por lá, ela passou por exames laboratoriais e de imagem que diagnosticaram um acidente vascular cerebral. (AVC).

“Paciente jovem, sem comorbidades conhecidas, mas que já na primeira tomografia de crânio identificamos uma extensa hemorragia cerebral com importante edema. Um quadro irreversível”, explicou a diretora técnica do hospital.

Abordagem da família

A Comissão Intra Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT) do Hospital, fez a abordagem familiar.

“Essa abordagem é sempre difícil. Nos colocamos no lugar dessa família e entendemos a dor que estão sentindo, mas precisamos fazer esse trabalho”, disse a enfermeira da CIHDOTT do Hospital Dr. Jayme, Viviani Oliva.

Após conversar com a família e tomar uma decisão, a Central Estadual de Transplantes do Espírito Santo (CET-ES) foi acionada e mobilizou as equipes para captação dos órgãos.

Para a realização da cirurgia foi necessária a participação de um cirurgião cardíaco, um residente de cirurgia cardíaca, uma cirurgiã geral, uma residente de cirurgia geral e uma enfermeira do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Além disso, junto da equipe do HEJSN com dois anestesistas, três técnicos de enfermagem e um enfermeiro concluíram a retirada.

“Nossa luta é para salvar vidas. Viemos de Minas Gerais para o Espírito Santo porque quatro pessoas podem ganhar uma vida nova a partir de hoje. Isso não tem preço”, lembrou o residente de cirurgia geral, o médico Davson Bergamaschi.

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