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Falso médico que atuava em presídio do ES usava registro profissional de médica da Bahia

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Geral

Falso médico que atuava em presídio do ES usava registro profissional de médica da Bahia

Em um atestado assinado por Victor de Barcellos Zanon no dia 10 de março deste ano, há o carimbo do falso profissional, com o número do CRM da médica

Atestado assinado por Victor no mês passado contém carimbo com o número do CRM da médica que atualmente trabalha na Bahia

O homem que atuava de maneira irregular como médico em uma unidade prisional do Espírito Santo utilizava o número de registro no Conselho Regional de Medicina (CRM) de uma outra médica. A reportagem da Rede Vitória verificou, no próprio site do Conselho, que o número utilizado por Victor de Barcellos Zanon, na verdade, pertence a uma profissional que atualmente trabalha na Bahia.

A reportagem também teve acesso a uma foto de um atestado médico assinado por Victor. O documento, com data do dia 10 de março deste ano, contém o carimbo do falso profissional, com o número do CRM da médica que atua na Bahia.

A denúncia sobre a atuação irregular de Victor foi encaminhada para o CRM, Polícia Civil e Ministerio Público. Procurado pelo Folha Vitória, o CRM-ES se limitou apenas a dizer que está investigando o caso, sem entrar em detalhes.

No entanto, em entrevista à TV Vitória/Record TV, o corregedor do Conselho, Thales Gouveia Limeira, afirmou que o CRM vai apurar se a médica dona do registro usado por Victor sabia do uso indevido e se há profissionais envolvidos no caso.

Conselho Regional de Medicina do Estado informou que o caso está sendo apurado

"Estamos levantando a documentação referente às pessoas cujos nomes surgem da denúncia, com suspeita de médico envolvido, e se for evidenciado que existe possibilidade de infração ética, vai ser aberta uma sindicância, que vai procurar indício de infração e eventual processo", frisou o corregedor.

A Polícia Civil informou, por meio de nota, que o caso vai seguir sob investigação da Delegacia de Defraudações e Falsificações. A produção da TV Vitória também entrou em contato com o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) para saber o andamento das investigações, mas não obteve retorno até a noite desta quinta-feira (26).

Afastamento

Victor de Barcellos Zanon trabalhava como médico em uma unidade prisional do Espírito Santo desde o dia 1º de fevereiro, por meio da Organização Social Vida e Saúde (Invisa), responsável pelo serviço de saúde no presídio. Ele foi afastado das atividades médicas na última terça-feira (24), quando a empresa descobriu a irregularidade.

A Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) não informou em qual unidade prisional o falso médico atuava, mas garantiu que o atendimento dos detentos desse presídio já está sendo realizado por outro profissional.

O corregedor do CRM-ES ressaltou que contratar médico sem consultar o registro é um risco à saúde pública. "Basta acessar o site do Conselho Regional de Medicina ou do Conselho Federal de Medicina. Ali é possível consultar pelo nome do médico, número do CRM, pode se verificar se o médico tem registro em especialidades, se ele está ativo, se ele está inativo, se ele está cassado. Todas essas informações estão disponíveis ao público", destacou Limeira.

Curso de medicina

Victor entrou no curso de medicina em 2012, mas deixou a faculdade três anos depois

Victor entrou, em 2012, no curso de medicina de uma universidade em Vila Velha, mas interrompeu os estudos no meio do caminho. De acordo com colegas, o rapaz saiu da faculdade em 2015, quando ainda estava no quinto período de medicina, ou seja, menos da metade do curso, que possui 12 períodos.

Na época o estudante teria dito que pediria transferência para outra faculdade de Vitória. No entanto, a reportagem entrou em contato com a instituição, que disse que Victor de Barcellos Zanon nunca esteve matriculado na faculdade.

Três anos depois, em janeiro deste ano, mesmo sem concluir a gradução, Victor teria pago pela festa de formatura e participou do evento junto com a turma em que havia começado a estudar. Menos de um mês depois, em fevereiro, ele começou a trabalhar na Sejus, atendendo na unidade prisional.

A produção da TV Vitória tentou falar com a empresa Invisa, onde Victor prestava serviço, mas não conseguiu contato. A reportagem também tentou entrar em contato com Victor de Barcellos Zanon e com a médica titular do registro utilizado pelo falso médico, mas também não conseguiu.